20/01/2023
Estava aqui trabalhando e parei um pouco para folhear um livro lindo (e raro) que me dei. Me apaixonei quando visitei a casa de Jorge Amado, em Salvador, mês passado. Item de seu acervo pessoal e que, por acaso do destino, encontrei um exemplar perdido no Sebo Brandão, no pelourinho. Vindo das mãos de Seu João, pernambucano radicado em Salvador que, após umas horas de conversa, pelo desconto que me deu, foi mais um presente do que uma venda.
Eu não havia visto essa imagem e hoje, como uma flecha, ela me acerta em cheio e me remete tanta coisa… tantas reflexões.
O registro pode ser de Pierre Verger ou Flavio Damm, incríveis em seus ofícios.
O título da imagem: As mãos. Não tenho mais detalhes no livro mas, possivelmente, pelo contexto da narrativa, a foto foi feita na festa da lavagem do Bonfim, na década de 50 ou 60.
Ao mesmo tempo me deparo com uma passagem que diz assim: “O povo é mais forte do que a miséria. Impávido, resiste às provocações, vence todas as dificuldades. De tão difícil e cruel, a vida parece impossível e no entanto o povo vive, luta e ri, não se entrega.”
Os meus caminhos me levaram a ser isso: O povo! Do Povo.
A minha profissão envolve ajudar, educar, ser atento e assertivo. Fácil ? Nem imaginam o quanto é complexo o mundo offline na minha caçada diária por justiça. Pelos meus. Para os meus.
As vivências me conduzem a uma só interpretação: nessa terra é tudo misturado. E como eu amo fazer parte disso.
Esse livro relata essa mistura.
Anjos e exus. O branco e o negro. O candomblé e as igrejas. Os Santos e os Orixás. A opulência e a miséria. Fé e força. Enfim, o povo!
Dentro disso, o sagrado me abençoa com um equilíbrio e me fazem instrumento de tantas pessoas. Isso é Òsóòsí. Sou muitas vozes, mas, sem sombra de dúvidas, eu sou o povo! 🏹