09/02/2026
Quando crimes violentos envolvendo crueldade extrema contra pessoas ou animais vêm a público, o termo “psicopata” costuma dominar debates nas redes sociais. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles alertam, porém, que esse diagnóstico é mais complexo do que parece.
Embora popular, o uso clínico do termo exige cautela. “A palavra ‘psicopatia’ é muito usada quando um caso gera revolta, mas costuma individualizar a violência, como se fosse apenas fruto de uma falha pessoal ou doença do sujeito”, explica o psicólogo Michel Petrella Silva, do Grupo Reinserir.
Na psiquiatria, não existe um diagnóstico isolado chamado psicopatia. O que os manuais descrevem são quadros como o transtorno de personalidade antissocial, avaliados ao longo do tempo e nunca a partir de um único episódio. “Não existe diagnóstico feito com base em um caso isolado”, reforça Michel, que destaca a importância de considerar também o contexto social.
“A violência não nasce no vazio. Ela é produzida em ambientes marcados por desigualdade e desumanização do outro”, afirma.
A violência contra animais, frequentemente citada em discussões públicas, é considerada um importante sinal de alerta. “É um indício grave de falha na capacidade de reconhecer a vulnerabilidade do outro”, diz Michel. Segundo ele, mais do que prever destinos individuais, esse tipo de violência aponta para a urgência de interromper ciclos de brutalização social.
Na prática clínica, o foco está em padrões persistentes, como recorrência da violência, dificuldade em reconhecer limites e ausência de responsabilização subjetiva.
O psicólogo Victor Bastos Ventura, que atua em São Paulo, reforça que agressividade pontual não define psicopatia. “Agressividade em situações específicas não pode ser automaticamente associada a esse traço. O que se avalia é um conjunto de características ao longo do tempo”, explica.
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🤳 Sebastian Condrea/Getty Images