12/08/2022
Dias do pais chegando e vamos começar falando da realidade... e refletir sobre.
No Brasil existe cerca de 11 milhões de mães solo. Eu disse 11 milhões...Isso não deve ser romantizado e é um dado preocupante. Falo aqui de mulheres completamente solitárias na maternagem, sem apoio emocional, psicológico e financeiro.
Ou seja o abandono paterno é real, cruel e deixa sequelas pro resto da vida. Tão violento e doloroso quanto o abandono paterno, é a invisibilização de tais arranjos familiares dessas mulheres solitárias na maternidade.
Essas mulheres são chamadas de guerreiras, mãe-pai ou até pãe. Mas na realidade são mulheres sobrecarregadas, exaustas e com cobrança da sociedade constante em fazer tudo isso da certo e com psicológico abalado tomado pela culpa, ausência, angústia, dúvida...É atribuir a essa mulheres muita responsabilidade, acúmulo de obrigações...
Se nas famílias com os dois pais ( que também pode ocorrer a maternidade solo) a situação já é complicada uma vez que mulheres que criam filhos ao lado do companheiro trabalham 7,5 horas a mais do que os homens por conta da dupla, tripla jornada que criar um filho exige, imagine realizar a maternidade sem nenhum auxílio? Difícil, cruel e violento.
São mães solos, romantizam essa realidade ocultando o fato que o pai simplesmente optou em não ter/ viver essa responsabilidade. A sociedade aceita o abandono paterno e normalizou isso em frases repetidas que colocam esta mulher como única e como se ela não pudesse cansar, chorar, correr...sem opção deve ficar e fazer tudo dar certo.
Afinal, eles dizem: mãe é mãe! E te falo pai é pai!
A rede de apoio para criação dos filhos só trás benefícios.
Por isso a importância de falar sobre as necessidades, particularidades e consequências do abandono paterno que antecede o dia dos pais, como forma de conscientização desses homens e da sociedade.
Senti na pele a ausência paterna e acompanhei de perto essa batalha na criação dos filhos, sendo da minha mãe e depois de várias mulheres na minha família. Falo aqui como advogada mas também como alguém que viveu essa situação. As marcas são tratadas hoje, na fase adulta.
E você, é mãe solo ou teve o pai ausente?