24/02/2021
Os impactos da pandemia de COVID-19 pelo mundo são inegáveis, em especial no Brasil, um país de tamanho continental, cheio de falhas estruturais e diferenças econômicas de grande escala.
O maior dilema em que se discute na atualidade é manter o equilíbrio entre a saúde e economia. Ambos considerados pela Constituição Federal como direitos fundamentais que estão sempre ligados ao supraprincípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III da CF).
O bloqueio total ou lockdown é um conjunto de intervenções previstas no artigo 3º, da Lei 13.979/2020, aplicadas a uma comunidade, uma cidade ou uma região, com o objetivo de restringir a interação entre as pessoas e interromper totalmente toda e qualquer atividade não essencial por determinado período de tempo. São exceções do lockdown as saídas para prestar/realizar atividades básicas como vender/comprar mantimentos ou remédios, nos termos do §8º da referida Lei.
Por fim, cumpre ressaltar que o Supremo Tribunal Federal decidiu, recentemente, que as medidas adotadas pelo Governo Federal para o enfrentamento do novo coronavírus não afastam a competência concorrente, nem a tomada de providências normativas e administrativas, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Ou seja, segundo estudos médicos, somente a não circulação de pessoas será capaz de conter a transmissão desacerbada do vírus.
Por outro lado, em relação a economia dados informam que o custo destas medidas para a economia é enorme. Duas semanas de lockdown total equivalem a uma perda de 4% de produção de bens e serviços no ano. Então, em termos de Produto Interno Bruto, que inclui a renda das famílias, empresas e governo, isto representaria em valores de 2019, um custo de R$ 300 bilhões no Brasil. Custos estes que não são distribuídos igualmente, pois, medidas como esta atingem principalmente trabalhadores autônomos e microempresas, que não possuem poupança o suficiente para ficar tanto tempo sem trabalhar de forma contínua.
Estas empresas e pessoas trabalham com um caixa muito restrito e muitos deles precisam “trabalhar de dia para ter o que comer a noite”.
Diante dessas informações qual o melhor equilíbrio nestes dois aspectos ? Reflita.