24/08/2026
TESTAMENTO: MUITO ALÉM DA DIVISÃO DE BENS.
Quando se fala em testamento, é comum pensar em patrimônio, herança e na definição de quem receberá os bens.
Mas o testamento pode ser muito mais do que isso.
Ele também pode ser um instrumento de manifestação de vontade, planejamento e prevenção de conflitos, inclusive sobre questões que vão muito além do patrimônio.
Um exemplo atual está na reprodução assistida.
O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a simples autorização prevista em formulário ou contrato padrão de uma clínica de fertilização não é suficiente para autorizar, após a morte, a implantação de embriões criopreservados.
Para o STJ, uma decisão com consequências tão profundas exige uma manifestação de vontade expressa, específica e formal.
Na prática, isso significa que quem possui embriões criopreservados pode — e deve, quando essa for a sua vontade — deixar claramente estabelecido o que deseja que aconteça com eles em caso de falecimento.
Porque há decisões que não dizem respeito apenas ao patrimônio.
Dizem respeito à autonomia, aos vínculos familiares, à reprodução e às escolhas mais íntimas de uma pessoa.
E quando essa vontade não é manifestada, uma decisão que poderia ter sido pessoal pode acabar sendo transferida para terceiros e, muitas vezes, para o Judiciário.
Planejamento sucessório não é apenas decidir quem ficará com os seus bens.
É organizar escolhas, proteger relações e garantir que vontades importantes continuem sendo respeitadas quando você já não puder mais expressá-las.
Planejar também é deixar claro aquilo que você quer.