Gabriela Souza - Advocacia para Mulheres

Gabriela Souza - Advocacia para Mulheres O escritório Gabriela Souza Advocacia para Mulheres acolhe mulheres em todas as suas necessidades jurídicas.

Os conteúdo dessa página são meramente informativos e não substituem uma consulta com seu advogado ou advogada de confiança.

Em 2023 eu fui perseguida, ofendida e ameaçada, por 15 dias. Recebia ligações, ofensas, áudios que me chamavam de lixo, ...
31/03/2026

Em 2023 eu fui perseguida, ofendida e ameaçada, por 15 dias. Recebia ligações, ofensas, áudios que me chamavam de lixo, burra, podre, que traziam temas sensíveis como um ab**to recente e que diziam que homem nenhum deveria me encostar. Esses horrores foram ditos pelo ex de uma cliente, igualmente bombardeada naquele momento e com um histórico de violências que vocês não acreditariam.

Eu, que sabia de toda a teoria, escorreguei na prática: ser vítima é bem diferente do que defender juridicamente quem é. Ali eu experimentei o medo de que as ameaças e perseguições se tornassem reais. E ali eu também entendi que de vez em quando o sistema de justiça, que deveria proteger, não acolhe e muito menos protege.

E foi ali que também olhei para os lados e não me vi só. É difícil admitir medo quando a gente trabalha com algo que exige coragem constante e renovada. E é ainda mais difícil pra mim. Mas a partir de então, acolhi o medo e fui com ele de companheiro.

Hoje foi a audiência de instrução. Estavam lá as mulheres que estavam naquele momento e que seguem. E hoje também estava a Marcella, que entrou como minha advogada, pois eu não tinha estômago para seguir me representando.

E novamente experimentei na pele o que peço diariamente para as minhas clientes: o processo penal ainda é devastador para quem passa por um crime. E precisa falar. E falar de novo. E relembrar. E revirar o que aconteceu. E justificar. E de vez em quando desenhar. E sentir que nunca é suficiente.

O que eu entendia na teoria hoje se aplicou na prática. E eu falei em voz alta que eu, que ne considero muito corajosa, senti muito medo. E ao mesmo tempo que foi difícil, foi libertador. E ao mesmo tempo que liberta, aprisiona.

E isso tem nome: chama revitimização.

Saí com um alívio agridoce de quem acredita na justiça, mas sente o processo, o tempo, a demora... o corpo sente como uma surra aquilo que é "devido processo legal" e mesmo sabendo de toda teoria e vivendo isso diariamente, sentir a pele cortar lembra que pode até ter remendo, mas a cicatriz segue ali.

Eu sigo e seguirei acreditando na justiça. Mesmo que vez ou outra ela própria, sem fazer muito esforço, nos doa na pele.

De vez em quando somos nós, sozinhas, contra o mundo.  De vez em quando é a gente encaranto todo um sistema, ninguém do ...
25/03/2026

De vez em quando somos nós, sozinhas, contra o mundo. De vez em quando é a gente encaranto todo um sistema, ninguém do nosso lado. De vez em quando bate medo, bate desesperança, bate uma soludão que nos desanima enquanto a gente se pergunta: "será que nunca vai ter fim?"E nessas ocasiões sempre quem nos salva é uma mulher, isso eu já aprendi. O júri de hoje foi difícil de muitas formas, mas sobretudo pela solidão, por estar ali sozinha defendendo a história de uma mulher. A solidão de ser assistente de acusação quando o MP dessa vez pedia a desclassificação do crime, acompanhado pela defesa. E hoje eu falei exatamente disso: que muitas vezes as mulheres estão sozinhas por elas. E hoje juntamos solidões e mesmo com o pior cenário de todo, garantimos que a justiça seja feita. Em muitos dias me sinto feliz e orgulhosa do meu trabalho, mas hoje eu estou ainda mais, pois hoje não teve nenhuma mulher sozinha enquanto ouvíamos a justiça sendo feita. Não era pra ser tão difícil e hoje eu vou dormir confirmando que, muitas vezes, basta que uma mulher acredite e lute pela gente.. e que bom que hoje eu fui essa mulher!

Segundo dia na CSW70, na ONU em NYC.Hoje de manhã participei da reunião do Secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, co...
10/03/2026

Segundo dia na CSW70, na ONU em NYC.

Hoje de manhã participei da reunião do Secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, com a sociedade civil. Sigo impressionada com as jovens corajosas que não tem medo de falar sobre feridas, nem sobre esperança. E ao mesmo tempo admirada com as senhoras que transbordam conhecimento ao redor.

Andar pelas salas da ONU por esses dias é um privilégio sem tamanho: observar as comitivas de todos os lugares do mundo que apesar de falarem línguas diferentes, falam a mesma coisa: estamos cansadas de tanta violência!

Uma das reuniões que participei hoje foi promovida pelos países nórdicos, que são campeões mundiais em equidade de gênero. Ouvir eles falando naturalmente de respeito, incentivo, investimento e organização me emocionou e doeu na mesma proporção.

Esse é recém o segundo dia, de duas semanas de evento. Ainda há muito para ouvir, aprender e observar. Ao mesmo tempo que sei que a América Latina também tem muito o que falar e ensinar por aqui...

Ainda tenho outros compromissos pela tarde e pela noite, a agenda é muito cheia e alguns eventos são muito concorridos. Me organizei para assistir os que falam sobre os desafios da justiça ao redor do mundo e de vez em quando preciso escolher entre dois eventos fantásticos ao mesmo tempo...

Aos poucos vou contando mais do que esta acontecendo por aqui, combinado? ( agora vou correr para almoçar alguma coisa e voltar para o evento!!!)

Dia da mulher, direto da ONU. Um dia de luta, de memória.E um dia de afeto, de conexões.Imagina se toda mulher acreditas...
08/03/2026

Dia da mulher, direto da ONU.

Um dia de luta, de memória.
E um dia de afeto, de conexões.

Imagina se toda mulher acreditasse na sua força desde sempre?

Cheguei em NYC para participar da CSW, na ONU, como parte da delegação brasileira nesse evento tão importante. Nem nos m...
07/03/2026

Cheguei em NYC para participar da CSW, na ONU, como parte da delegação brasileira nesse evento tão importante. Nem nos meus mais ousados sonhos pensei em participar desse evento tão importante, ainda mais na comitiva do meu país! Organizando coração e a cabeça para os próximos dias, que serão intensos! Por enquanto, conhecendo essa cidade que me surpreende positivamente nessa recepção. As últimas semanas foram desafiadoras, ainda mais precisando deixar 20 dias de trabalho antecipado para poder sair do Brasil tranquila... A ansiedade estava batendo forte! E a impostora também! Mas chegar nessa cidade me fez muito bem, sabe? Peguei a impostora pela mão e trouxe pra passear com todos os medos e o resultado não poderia ser melhor...
Vou compartilhar os bastidores nos stories!!!

Há algo que quase nunca é dito quando falamos de violência contra mulheres: ela não termina quando o crime acaba, quando...
05/03/2026

Há algo que quase nunca é dito quando falamos de violência contra mulheres: ela não termina quando o crime acaba, quando se faz a denúncia, quando sai a sentença...

Ela continua circulando e nos atravessando nas notícias, nas conversas, nas redes sociais, nos detalhes repetidos, nas imagens, nos comentários.

A violência contra mulheres é uma ferida sempre aberta.

Cada nova notícia parece tocar exatamente no mesmo lugar. Antes que uma história seja assimilada, outra aparece. Antes que possamos respirar, surge outro caso, outra mulher, outra violência.

Não há tempo de cicatrizar.

Essa exposição constante produz efeitos profundos sobre as mulheres. Muitas passam a viver em estado de alerta permanente. Observam mais o ambiente, calculam horários, pensam rotas, avisam quando chegam em casa, avaliam riscos que muitas vezes ninguém mais percebe.

A violência que acontece com uma reorganiza o modo como todas se movem no mundo.

Também existe um outro efeito, mais difícil de explicar.

Uma sensação sufocante de que a violência está sempre à espreita, sempre próxima, sempre possível, talvez dessa vez seja com a gente, com nossas filhas, amigas...

Vivemos uma espécie de revitimização coletiva.

Cada nova história atinge não apenas aquela vítima específica. Ela atravessa milhares de mulheres que, ao ler ou ouvir o relato, reconhecem ali medos, memórias e experiências que fazem parte da vida de tantas.

Quando a gente fala que dói em todas nós, não estamos falando no sentido figurado. Dói mesmo, fisicamente inclusive.

Esse março esta particularmente difícil e eu sempre fico reflexiva diante de uma avalanche de eventos, campanhas e atividades que duram um mês e depois desaparecem.

Enquanto isso, para as mulheres, a ferida permanece aberta o ano inteiro.

Talvez por isso tantas de nós pareçam cansadas.

Não é desistência, apenas o luto coletivo e sem fim das mulheres dizendo que já não suportam mais viver com essa dor repetida.

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a prisão de Conrado Paulino da Rosa é recebida pelas vítimas como uma respos...
02/03/2026

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a prisão de Conrado Paulino da Rosa é recebida pelas vítimas como uma resposta eficaz do sistema de justiça.

Denunciado pela prática de 12 crimes contra 10 mulheres, na semana passada réu passou a requerer a quebra do sigilo da ação penal, buscando transformar em exposição pública aquilo que deve ser tratado com respeito, seriedade e preservação da intimidade das vítimas.

A dor de uma mulher não é — e jamais será — espetáculo midiático.

E o processo não é - e jamais será- cenário para desqualificar as mulheres.

A forma como o Estado responde a essa dor repercute sobre todas as mulheres.

A prisão realizada hoje reafirma que, ao denunciar violências, uma mulher deve encontrar proteção no sistema de justiça, e não novas formas de revitimização.

Proteger quem denuncia é proteger todas.

NOTA PÚBLICAAs vítimas receberam a notícia do oferecimento da denúncia em face de Conrado Paulino da Rosa com serenidade...
27/02/2026

NOTA PÚBLICA

As vítimas receberam a notícia do oferecimento da denúncia em face de Conrado Paulino da Rosa com serenidade e confiança nas instituições responsáveis pela persecução penal.

Acreditam no trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário e esperam que os fatos sejam apurados com a responsabilidade e a imparcialidade que o caso exige.

Diante da notícia de novo vazamento de depoimentos e de conteúdo sigiloso, ainda em 25 de fevereiro de 2026 foram registrados boletins de ocorrência e formalizado pedido de investigação junto à Corregedoria do Tribunal de Justiça e perante o MPRS, considerando tratar-se do terceiro episódio de exposição indevida de informações sensíveis neste mesmo caso.

As vítimas aguardam que, diante da informação de que o Ministério Público acionou o GAECO para apurar a origem do vazamento, sejam rapidamente identificados os responsáveis, com a devida responsabilização, tanto deste vazamento quando do que ocorreu em setembro de 2025.

Por confiarem na atuação do Ministério Público e na condução técnica da investigação, a assistência à acusação sequer solicitou, até o momento, habilitação no processo, aguardando resposta eficaz quanto aos reiterados vazamentos e à preservação do sigilo legal.

As vítimas seguem confiando na Justiça e acreditam que a verdade dos fatos será apurada dentro do devido processo legal, com respeito às garantias de todos os envolvidos e à proteção da dignidade e intimidade de quem denunciou.

Hoje e sempre.
26/02/2026

Hoje e sempre.

Quando um homem poderoso é preso por suspeita de má conduta, o mundo olha. Quando esse homem é um ex-príncipe, irmão do ...
19/02/2026

Quando um homem poderoso é preso por suspeita de má conduta, o mundo olha. Quando esse homem é um ex-príncipe, irmão do rei, o símbolo ganha outra dimensão.

A notícia da prisão de Andrewnão é apenas um fato jurídico. É um acontecimento simbólico uma ruptura em um sistema. Andrew já havia perdido seus títulos após ser citado nas investigações que envolveram o nome de Jeffrey Epstein. Agora, vê-se submetido ao mesmo ritual que atinge qualquer outro cidadão: a detenção.

Durante séculos, homens protegidos por sobrenomes, coroas, cargos e fortunas circularam blindados. A estrutura do poder sempre foi masculina — e sempre soube proteger os seus. A violência contra mulheres, sobretudo quando praticada por figuras influentes, foi frequentemente abafada por acordos, silêncio, descrédito das vítimas e estratégias institucionais de proteção à imagem.

Quando um príncipe é investigado, questionado e preso, a mensagem que ecoa é outra: títulos não anulam responsabilidade. Sangue azul não imuniza contra a lei: nem o da realeza britânica, nem o que o patriarcado te deu, alecrim dourado.

Mulheres foram historicamente ensinadas a duvidar de si mesmas diante do poder masculino. A narrativa dominante sempre sugeriu que “ele é importante demais”, “é respeitado demais”, “ninguém vai acreditar”. Cada vez que uma figura poderosa responde perante o sistema de justiça, essa lógica é tensionada.

É claro que ainda vivemos em um mundo onde a impunidade é regra e não exceção. É claro que processos contra homens influentes costumam ser longos, desgastantes e atravessados por assimetrias.É claro que os crimes foram tão graves a ponto de não serem abafados...

Mas o fato de que até mesmo um ex-príncipe pode ser detido rompe, ao menos simbolicamente, a fantasia da intocabilidade masculina.

Príncipes também são presos.

Não é sobre uma família real. É sobre estrutura.
E estruturas, quando começam a rachar, nunca voltam a ser exatamente as mesmas... e que bom!

Fui selecionada para integrar a comitiva brasileira na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, na ONU, em NY....
15/02/2026

Fui selecionada para integrar a comitiva brasileira na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, na ONU, em NY.

(E tive que ler e falar isso em voz alta algumas vezes até acreditar que é real)

Entre os dias 9 e 19 de março de 2026, estarei na CSW70, cujo objetivo central é fortalecer compromissos internacionais para garantir o acesso efetivo à justiça para todas as mulheres e meninas, eliminar leis e políticas discriminatórias e enfrentar as barreiras estruturais que sustentam desigualdades.

A sessão de 2026 é especial, pois é prioritário fazer com que os sistemas de justiça sejam protetivos às mulheres e eu sei que a advocacia e a educação jurídica feminista são formas fundamentais de garantia desses direitos, tantas vezes negados por quem deve agir rápido e nos proteger.

Diante da epidemia de violência que atravessa o Brasil e a América Latina, levo comigo todas as mulheres que atendo, todas as mães que sofrem e são desacreditadas quando denunciam, as que perdem seus filhos para a misoginia, as mulheres com que o Estado falha sistematicamente, as minhas colegas advogadas que lutam e se capacitam diariamente para poder enfrentar um sistema de (in)justiça estrutural.

Andava precisando me reconectar com a possibilidade de levar em mim todos os sonhos do mundo, que infelizmente são atravessados por uma realidade brutal que nos embrutece, nos entristece. Então realizar um sonho de uma vida toda nesse contexto me dá a injeção de ânimo ideal para esperançar um futuro melhor para todas nós.

A bell hooks, intelectual feminista estadunidense que tanto me inspira, nos ensinou que uma ética amorosa é prática política: amar é compromisso com justiça, cuidado, responsabilidade e transformação. Levo essa lição comigo, porque a advocacia feminista, quando comprometida com o acesso à justiça e com a dignidade das mulheres, também é expressão de uma ética amorosa — não passiva, mas transformadora.

E agora eu preciso organizar uma viagem internacional em menos de 20 dias e eu nem sei se tenho roupa pra ir pra ONU no frio de NY, sabe?

Dessa vez vou compartilhar tudo por aqui, afinal, não cheguei e nem vou estar sozinha lá, né?

Que, apesar de tudo, a gente consiga se divertir.Eu sei que às vezes parece quase um ato absurdo, quase ofensivo, a gent...
13/02/2026

Que, apesar de tudo, a gente consiga se divertir.

Eu sei que às vezes parece quase um ato absurdo, quase ofensivo, a gente sorrir. O mundo pesa, as notícias doem, a gente carrega histórias que não cabem em um glitter. Tem dias em que o corpo está cansado antes mesmo de sair de casa. Tem dias em que o coração está mais atento às ausências do que aos confetes.

E mesmo assim, faz-se carnaval no Brasil.

E o carnaval sempre foi esse território ambíguo: denúncia e dança, crítica e brilho, dor que vira samba, cansaço que vira cortejo. O país que sangra também canta. A gente que luta também rebola. Não porque ignora a realidade — mas porque sobreviver também é celebrar.

Que, apesar de tudo, a gente consiga se divertir sem culpa.
Que a alegria não seja vista como alienação, mas como fôlego.
Que a gente possa rir alto, abraçar forte, suar na rua, pintar o rosto, cantar errado, esquecer o celular por algumas horas.
Que a gente lembre que corpos felizes também são resistência. E que livres, eles mudam esse mundo.
Que o riso entre amigas é rede de apoio.
Que a gente olhe para o lado com amorosidade, respeito e certeza da garantia dos nossos direitos, ainda que em um sonho de carnaval.
Que dançar é uma forma de dizer: eu ainda estou aqui.

Se o ano começou pesado, que nesses dias a gente se permita leveza.

Se o coração está apertado, que o tambor ajude a expandir e transbordar de alegria, para que a gente faça uma "poupança" de momentos bons para o resto do ano.

É carnaval no Brasil. E esse é o nosso grande segredo coletivo: pular em uma festa que nos lambe as feridas e nos enche de fôlego, de risadas, de ânimo para o ano, que começa só depois da quarta-feira de cinzas.

E apesar de tudo — ou talvez exatamente por causa de tudo —que a gente consiga se divertir. 🎭✨

Endereço

Riachuelo 1339 Conjunto 904
Porto Alegre, RS
90010270

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