14/11/2019
Quando eu tinha 5 anos uma amiga do colégio guardou sem querer o meu lápis dentro do estojo dela, eu guardando os meus materiais dei falta do lápis e perguntei se ela tinha visto, ela disse que não tinha visto e que não sabia onde estava, terminou a aula, fomos para casa. No outro dia assim que cheguei ao colégio ela me avisou que o lápis tinha ficado com ela e antes de ouvir qualquer explicação eu, sutilmente, a enforquei, Sim! a Rafaela de 5 anos enforcava pessoas, mais do que prontamente minha professora me encaminhou para a cadeira do feio, estava eu a “vítima” de castigo.
Chegando em casa esperei meu avô chegar do trabalho com o whisky dele preparado com as 4 pedras de gelo, do jeito que ele gostava, do jeito que ele me ensinou e p**a da minha vida já que tinha passado por uma imensa injustiça e tinha absoluta certeza que ele ia ficar do meu lado. Ele chegou eu fui atropelando as palavras e chorando muito contando pra ele o que tinha acontecido, ele me ouviu, me abraçou, me olhou e falou “você tá errada Rafaela!”, eu dentro da minha pouca idade fiquei desesperada com aquilo, “ela que é “ladrona” e eu que tô errada vô, sério?” e ele em poucas palavras me deu a primeira lição que nortearia todo o resto da minha vida “1º você não ouviu a sua amiga, você não sabe o que fez ela fazer isso, ela tem o direito de se explicar, as vezes pegou sem querer, as vezes pegou porque precisava, as vezes alguém colocou nas coisas dela, ou as vezes pegou porque tem “mau costume” mesmo, mas você tinha que deixar ela se explicar, pois você pode ter cometido uma imensa injustiça e em 2º quem te deu o direito de bater em outra pessoa, você tinha que ter falado com a professora para ela resolver, jamais agir dessa forma, a professora é a responsável por vocês ela que tinha que resolver essa questão, desculpa filha, mas tu deu mole!” e esse foi o meu primeiro conceito de justiça, é isso que me motiva, toda vez que eu ouço perguntas do tipo “Como que você consegue defender alguém que você sabe que é culpado?” eu lembro do Sr. Jorge sentado no sofá me ensinando garantias fundamentais e me transformando em alguém que ,desde tão pequena, luta até o fim pelo seu direito de dar a sua versão dos fatos e esse é um caminho sem volta e já que não tem jeito de ser diferente estamos de volta e não vamos parar!