15/04/2023
Dr. Otoni…. Advogado, Professor, Boêmio.
Há pessoas que por sua atuação, independente do cargo ou profissão, se tornam queridas e admiradas por quem conviveu e ou teve experiência de encontros e momentos com ele. O Dr. Otoni, advogado, que durante várias décadas, atuou no Oeste Potiguar, tinha um misto de inteligência, vivência e amizades que militavam a seu favor na advocacia, seja ela civil, criminal ou trabalhista. Inúmeros foram os casos em que foi chamado para tentar a “última carta do baralho” e salvar um cliente de condenação ou restabelecer um direito violado. Foram muitas as famílias, ali pelo sertão, de Mossoró à Pau dos Ferros, e das cercanias da cidade de Patú, que precisaram da atuação do Advogado Otoni, nas lides da vida. Da advocacia, o “Doutor” do Junco (Messias Targino/RN), herdou um universo de boas amizades, alguns desafetos, e muitos, muitos goles de cervejas e doses de pinga, sempre regados com pratos sertanejos, em especial, a “galinha caipira”, o “bode cozido”, a “buchada”, o “picado” entre outros, que muitas vezes era o pagamento de seus honorários. E se a família não tinha recursos para pagar, valia os produtos sertanejos, do cultivo e da criação, que poderia ser levado ou consumido numa rodada de prosa nos fins de semanas, ou numa noitada em algum bar. Da Advocacia, adquiriu mais amizades, que riquezas, sendo as amizades, seu maior patrimônio. Advogou para quem poderia pagar, e também para quem não tinha recurso algum. Seus deslocamentos nas lides jurídicas eram feitos por amigos e taxistas, que se tornavam amigos e parceiros das vitórias e também das derrotas que teve que suportar no exercício da advocacia. Mas Otoni, não era só advogado, era Professor, e com a simplicidade que lhe é peculiar, se tornou amigo de inúmeros estudantes, que suas aulas ouviam, gente que partiu do sertão e foi galgar espaços nas diversas profissões. Por suas mãos passaram, os hoje, médicos, juízes, advogados, historiadores, servidores públicos, empresários, políticos, dentre outras profissões, e guardam a memória afetiva do professor, mestre da língua francesa, vice diretor, depois diretor do Ginásio municipal de Patu. Com ele, aprendi os números franceses que sempre repetia, lembrando os membros da família Rosado (Onzième, Trezième, Quatorzième, Quinzième) que foram registrados com números’em seus nomes. Atuou também, na cidade de Rafael Godeiro, no ensino, de primeiro e segunda grau. Mas o que marcou mesmo sua vivência lá pelo nosso sertão, foi seu lado humano e boêmio, despojado de qualquer vaidade, que o tornou um amigo cativo e presente nos eventos sociais da região. Não faltava também à ele, o lado da prosa, das situações vividas, tanto na atuação como advogado, como Professor, como político, e principalmente, na boêmia das mesas de bares da região, onde, no passado, se construía pontes para as amizades e desafios da vida. Foi um amigo muito próximo de meu Pai, Antonio Paiva (In memoriam), e não foram poucas as vezes que juntos saiam para resolver alguma demanda, como advogado, e que depois se estendia, por algum bar, um sítio, que incluía ainda, um bom motorista e a presença de outros amigos comuns, quando a hora de parar parecia infindável. Hoje residindo em Parnamirim/RN, Dr. Otoni lembra desse passado pelo Oeste com muita emoção, e apesar, de restrições em sua saúde, nos brindou dias desses com sua presença na “Confraria dos Amigos do Oeste” que reúne pessoas de algumas cidades, que foram desmembradas de Patú/RN.