10/10/2021
OS TEMPOS ATUAIS mostram que as redes sociais não são ambiente adequado para discussões mais profundas. O ódio e a polarização política contaminam a seriedade de qualquer debate. Por outro lado, como professor, sinto-me no deve me manifestar sobre alguns temas. Segundo o prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, “se você f**a neutro em situação de injustiça, escolhe o lado do opressor”.
UM PROJETO DE LEI que previa a distribuição gratuita pelo Estado de absorventes a mulheres pobres foi vetado essa semana pelo Presidente da República. Não se trata de uma medida inédita no mundo. Essa tem sido uma forma de combater a “pobreza menstrual” (“poverty period”).Na Escócia, desde 2018, escolas, colégios e universidades disponibilizam esses produtos gratuitamente em seus banheiros. A partir de 2020, a lei escocesa “Period Products (Free Provision) Scotland Act”, aprovada unanimemente pelo parlamento escocês, determina a disponibilização gratuita desses produtos em prédios públicos, livrarias, centros de recreação etc.
NOS ESTADOS UNIDOS, vários Estados também determinam a disponibilização gratuita de produtos menstruais em escolas públicas.
NO BRASIL, infelizmente, um projeto dessa natureza vem sendo ironizado pela internet por milhares de brasileiros, com nomes jocosos, críticas ferozes etc.
SEGUNDO A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL “GLOBAL CITIZEN”, “a pobreza menstrual pode causar riscos para a saúde física e tem sido associada a infecções reprodutivas e do trato urinário, de acordo com a UNICEF. Também impede que as mulheres alcancem seu potencial máximo quando perdem oportunidades cruciais para seu crescimento”.
ESTOU CERTO de que é dever do Estado propiciar a todos os seus cidadãos condições dignas de se desenvolver livremente, de acordo com suas aptidões e capacidades. A “meritocracia”, tão alardeada nos tempos atuais, só pode ser exigida quando o Estado oferece essas mínimas condições. É triste ver um país tão condescendente com gastos exagerados a suas autoridades (a seus juízes, a seus Ministros que cumulam suas remunerações etc.) e tão austero com políticas públicas aos mais pobres. Falarei sobre isso no podcast "O Detrator" de segunda-feira.
prof. Flávio