29/11/2022
O assunto do momento pela internet, é a mais nova campanha da Balenciaga, nomeada “Objects” (objetos). A marca sempre se envolve com polêmicas, mas desta vez, passa de uma simples polêmica a marca está sendo acusada de incentivar e promover a violência sexual infantil.
Em suma, a mais nova campanha envolve crianças como centro de um cenário com objetos B**M - “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”. Algumas imagens da campanha, contêm livro de Michael Borremans, artista que possui produções envolvendo crianças nuas com adultos em ato de violência, incluindo o canibalismo. Em outra fotografia, documentos da sentença SCOTUS de 2008 que defendia a promoção ou a publicidade de pornografia infantil como reato federal não protegido pela liberdade de expressão.
Mas, afinal o que podemos aprender com essa polêmica?
Primeiramente, a marca é destinada a um público - alvo “jovem e rico”, portanto, mais da metade do Brasil, não é consumidor desta marca.
Alguns influencers, nacionais e internacionais, postaram repúdio a marca, inclusive a mesma postou uma retratação em sua rede social.
Essa publicação, tem como objetivo de informação e conscientização sobre a questão da VIOLÊNCIA SEXUAL INFANTIL, em nosso país. Podemos aprender com essa polêmica e com a marca, que Abuso infantil, exploração infantil, estupros de vulneráveis, são crimes e sim existem!
A violência sexual infantil, infelizmente, é uma realidade pelo mundo todo. Só no Brasil, a cada uma hora 4 meninas de até 13 anos, são estupradas, conforme o anuário da Segurança Pública de 2022.
Na maioria dos casos, as características dos criminosos são: homem (95,4%) e conhecido da vítima (82,5%), sendo que 40,8% eram pais ou padrastos; 37,2% irmãos, primos ou outro parente e 8,7% avós. E, 17,5% são desconhecidos. Os locais da violência também permanecem o mesmo: 76,5% dos estupros acontecem dentro de casa.
Importante destacar, que a maioria dos casos de estupros são com meninas, mas meninos também sofrem. Pelo fato do nosso país ser machista, existem duas causas para que as estatísticas apresentem maior números de meninas do que meninos.
Os meninos acabam sendo mais preservados e ou, pelo machismo estar enraizado em nossa sociedade, os casos de violência sexual contra meninos sequer chegam a ser denunciados.
Agora, no quesito a exploração sexual e pornografia infantil, são crimes que ainda, são tratados com descaso pela sociedade, infelizmente, são registradas poucas denúncias.
Ocorre que estupro de vulnerável, exploração sexual e pornografia infantil existe no Brasil, e a pergunta que f**a é “Por que não estamos falando disso cotidianamente?”.
Por que estamos chocados com uma marca, mas em nosso cotidiano se quer mencionamos isso?
Nós, adultos, precisamos romper o silêncio, pois só as nossas vozes serão capazes de provocar consciência e impulsionar a discussão para construção de políticas públicas capazes de mudar esta realidade.