03/02/2026
NOTA DE REPÚDIO – ILÊ ASÉ AYÊ WURÁ
O Ilê Asé Ayê Wurá, sob a liderança do Babalorixá Marciel Alves, vem a público manifestar seu mais profundo repúdio e indignação diante dos graves atos de intolerância religiosa e racismo religioso ocorridos no primeiro dia de aula de uma de nossas iniciadas, menor de idade, em uma unidade de ensino médio da E.E Vicente Peixoto na cidade de Osasco -SP.
É inadmissível que, no exercício de seu direito constitucional à educação e à liberdade de crença, uma jovem seja submetida a humilhações públicas, sendo chamada de "galinha de macumba" e alvo de agressões simbólicas e físicas, como o lançamento de substâncias sobre seu corpo.
Pontos de extrema gravidade que exigem providências:
Omissão Escolar: A escola, que deve ser um ambiente de acolhimento e segurança, falhou miseravelmente. A postura da professora ao classificar crimes como "brincadeira" é conivente e fere as diretrizes da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e o combate ao preconceito.
Violação de Direito Constitucional: O uso da cobertura de cabeça (quelê/ojá) faz parte de um preceito sagrado. Impedir ou constranger o uso é violar o Artigo 5º da Constituição Federal, que garante o livre exercício dos cultos religiosos.
Crime de Intolerância: Reiteramos que intolerância religiosa não é piada; é crime previsto na Lei 7.716/1989, com p***s agravadas recentemente para casos de racismo religioso.
O Ilê Asé Ayê Wùrá não se calará. Prestaremos todo o apoio espiritual e jurídico à família. Exigimos que a direção da escola e os órgãos de ensino tomem medidas administrativas imediatas contra os agressores e os profissionais que se omitiram.
A fé em nossos Orixás nos ensina o respeito e a resistência. Não aceitaremos que o "sagrado" de nossos filhos seja transformado em "pesadelo" por quem deveria educar.
Babalorixá Marciel Alves da Silva
Líder Espiritual do Ilê Asé Ayê Wurá
Flavia Alves de Siqueira Raphael Santos Patrick Araújo