17/06/2024
Aproveitando esse momento em que se discute o polêmico e injusto PL do ab**to, que criminaliza a vitima de estupro que engravida e aborta em pena maior que a do estuprador que a engravida, lançaremos um ponto para reflexão.
Não seria de se estranhar que o mesmo Sistema que se preocupa tanto com a vida no ventre e pesa tanto a pena sobre as mulheres que não querem levar suas gestações adiante seja tão branda com os homens que não assumem as responsabilidade de Pai?
Quando uma Petição de Alimentos para uma criança é endereçada ao Judiciário cobrando um pai omisso a resposta que se tem em 95% dos casos é: "a necessidade do requerente é indiscutível, pois é menor de idade, sendo evidente que não pode prover seu próprio sustento. Lado outro, a disponibilidade do alimentante deve ser objeto de atenta consideração, não devendo superar as forças financeiras do devedor, a ponto de impor-lhe sacrifício excessivo, até mesmo pelo fato de que deve haver proporcionalidade na distribuição dos encargos na medida da disponibilidade do alimentante". Isso para fixar alimentos no importe de 30% do salário-mínimo (R$423,00) para uma, duas, três ou mais crianças.
Percebem o quanto o nosso sistema é contraditório?
Obriga-se as MULHERES a terem os filhos (mas não existe filho só de mulher. Todas as pessoas do mundo são filhas e filhos de uma mulher e de um homem). Não seria lógico que o mesmo Estado que criminaliza a mulher que se assusta e interrompe uma gravidez ante o medo de tamanha responsabilidade descarregada por um homem sobre suas costas também e da mesma forma obrigue os homens a colaborar para criação dos filhos?
Há imensa preocupação por parte do Estado em não fixar obrigação alimentícia superior às forças do alimentante (que geralmente é o homem que vai embora e deixa a responsabilidade de cuidar e alimentar o filho somente com a mulher), mas não se vê preocupação em avaliar as forças financeiras da Mãe.
Ora, se o pai vai pagar R$ 423,00 para duas, três ou mais crianças quem vai custear as outras três ou quatro partes faltantes? Sem levar em conta os cuidados que um filho precisa e que geralmente são oferecidos somente pelas mulheres/mães, desde a concepção até sempre!
Isso só pode ser fruto de uma sociedade que legitima um Sistema injusto, hipócrita e demagogo, que perde tempo e dinheiro público em longas discussões para votar leis vazias que não serão cumpridas, porque os ab**tos dos ricos continuarão ocorrendo em grandes clínicas, o ab**to dos pobres em fundos de quintais, bem debaixo do "nariz" do Estado, e as mulheres que enfrentam os desafios da maternidade, enfrentam também os Tribunais para obrigar os seus PARCEIROS DE MATERNIDADE a ajudar na criação dos filhos que passam fome.
Tudo isso porque as mulheres de sempre jamais foram PRÓ VIDA. Elas sempre foram PRÓ HUMANIDADE! Humanidade, esta, que estaria reduzida em um terço ou mais se estivesse relegada única e exclusivamente aos cuidados dos homens, grandes legisladores, defensores da família e pró vida, mas que deixam seus filhos à míngua para morrer de fome!
Ressalvas obviamente aos Pais que cumprem os seus papéis e merecem respeito. Embora as mulheres cumprem os seus papéis e não são respeitadas!
Que nossa luta seja pela continuação da humanidade, na sua forma mais justa, amorosa e respeitosa com o ventre que lhe deu a luz!
Se acharem significativo, comentem.