08/01/2016
Vítimas de violência doméstica poderão ter direito à cirurgia plástica reparadora pelo SUS
É sabido que no Brasil o índice de violência doméstica contra a mulher ainda é muito alto, mesmo após a edição da Lei Maria da Penha, que completa 7 anos em 2013. Em razão disto, foi elaborado o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 112, de 2009 (Projeto de Lei nº 123, de 2007, na origem), o qual dispõe sobre a oferta e a realização, no âmbito do Sistema Único de Saúde SUS, de cirurgia plástica reparadora de sequelas de lesões causadas por atos de violência contra a mulher.
O referido Projeto tem como fundamento a dignidade da pessoa humana, já que visa apagar da memória da vítima qualquer lembrança da agressão, bem como evitar qualquer tipo de constrangimento.
Para a realização da cirurgia, o Projeto exige tão somente o registro da ocorrência Boletim de Ocorrência feito na Delegacia de Polícia-, sendo dispensada a existência de processo cível ou criminal.
Importante destacar que os hospitais e os centros de saúde pública, ao receberem vítimas de violência, deverão informá-las da possibilidade de acesso gratuito à cirurgia plástica para reparação das lesões ou sequelas de agressão comprovada. Em caso de ausência desta informação, o responsável do hospital ou do centro de saúde poderá sofrer as seguintes penalidades: multa no valor de dez vezes de sua remuneração mensal (este valor será aplicado em campanhas educativas de combate à violência contra a mulher), perda da função pública e proibição de contratar com o poder público e de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de 4 anos.
Cabe ressaltar ainda que, apesar de o Projeto de Lei da Câmara ainda não ter sido sancionado pela Presidente da República, o governador do Piauí e a prefeita de São Paulo já aprovaram tais medidas.
Alguns dados interessantes:
a) Existem 500 delegacias para atender mulheres que sofrem violência em todo o Brasil, de acordo com a diretora Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão.
b) A cada 2 minutos, 5 mulheres são agredidas violentamente no Brasil, conforme pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc.
c) O Espírito Santo é o estado com a maior taxa de mortes de mulheres em razão de violência doméstica no Brasil, segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mas, felizmente, este índice está reduzindo.