13/03/2024
Há 10 anos a advocacia me trouxe a missão de estar a frente de centenas de conflitos familiares.
Eu sempre acreditei que o divórcio era o último passo para o fim de uma história.
Por muitas vezes entristeci ao ver famílias se desfazendo, outras vezes pude sentir a felicidade de poder ajudar e não permitir que algumas famílias desfizessem... Não vou mentir, na tentativa de plantar a esperança também já compactuei para que o inevitável fosse tão somente adiado.
Sabe o que eu aprendi?
Ainda que eu seja a favor do casamento, da união da família, de fazer dar certo e de nunca desistir, por vezes o divórcio é somente a formalização do que de fato já acabou e que nem sempre se trata de um último, mas sim de um primeiro passo para a libertação de um relacionamento que adoeceu, neste caso, o basta é a única saída.
Aprendi também que grande parte, acredite, a maioria dos casamentos seriam salvos se soubéssemos dialogar, mas a verdade é que ninguém nos ensinou a falar sobre sentimentos e sequer a saber ouvir sem julgamentos.
De repente, no mais difícil dos momentos deixamos que um juiz decida por nós, o processo é sempre doloroso.
A minha profissão me dá o privilégio de conhecer, acompanhar e solucionar os problemas de diversas famílias da forma menos dolorosa possível e hoje depois de me deparar com dezenas de divórcios, amenizar a dor é mais do que um propósito profissional é uma obrigação enquanto ser humano.