26/01/2022
A charge do cartunista argentino Quino expõe duas formas de poder em contraponto: o poder da força e o poder das ideias.
O personagem que faz calar as ideias por meio do uso exclusivo da força faz uma pergunta irônica ao intelectual na charge despreza a disputa das ideias e se torna um intolerante.
Como sabemos, há muitas interpretações sobre o mundo e a partir delas muitas ideias são desenvolvidas sobre a vida que levamos nele.
No campo jurídico, essa pluralidade é notável. Mas, em busca de ‘justiça’, o que se permite no campo jurídico é a disputa de ideias e interpretações em torno dos fatos, e a força deve estar a serviço da justiça. Uma justiça tolerante busca enfrentar uma ideia ruim, com uma melhor.
Nesse sentido, foi relevante o que escreveu Blaise Pascal (1623-1662), matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo francês:
"É justo que o que é justo seja seguido. É necessário que o que é mais forte seja seguido. A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. A justiça sem a força será contestada, porque há sempre maus; a força sem a justiça será acusada. É preciso, pois, reunir a justiça e a força; e, dessa forma, fazer com que o que é justo seja forte, e o que é forte seja justo. A justiça é sujeita a disputas: a força é muito reconhecível, e sem disputa. Assim, não se pôde dar a força à justiça, porque a força contradisse a justiça, dizendo que esta era injusta, e que ela é que era justa; e assim, não podendo fazer com que o que é justo fosse forte, fez-se com que o que é forte fosse justo."
Fontes:
• PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
• AR**HA, Maria Lúcia de Arruda Ar**ha; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
• QUINO. Potentes, prepotentes e impotentes. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
• FREITAS, Guilherme. Amós Oz: 'O conflito do século XXI é entre os fanáticos e nós'. O Globo. 16 jan. 2016. Disponível em: .