07/09/2026
7 de Setembro: independência de quem?
Em 1822, o Brasil rompeu formalmente seus vínculos com Portugal. A rigor, já não éramos propriamente uma colônia havia alguns anos: desde 1815, o Brasil integrava o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Mas a pergunta que me interessa, mais de dois séculos depois, é outra:
O que fizemos com a liberdade que tanto celebramos?
Independência não é apenas trocar a autoridade de além-mar por autoridades instaladas em Brasília.
Liberdade não é uma palavra bonita para discursos cívicos, nem um conceito que se esgota no direito de escolher, periodicamente, quem exercerá poder sobre nós.
Uma sociedade verdadeiramente livre exige instituições limitadas, respeito à propriedade, segurança jurídica, responsabilidade individual e, sobretudo, desconfiança permanente diante da concentração de poder.
Bastiat já nos advertia sobre a perversão da lei quando ela deixa de proteger direitos e passa a servir de instrumento para que uns vivam às custas de outros. Mises e Hayek demonstraram os perigos de entregar a burocratas a pretensão de organizar aquilo que milhões de indivíduos livres podem decidir por si mesmos. Rothbard foi ainda mais longe ao perguntar por que concedemos ao Estado prerrogativas que jamais aceitaríamos nas mãos de qualquer indivíduo.
E nós?
Continuamos celebrando a Independência enquanto naturalizamos instituições corroídas, privilégios, corrupção, insegurança jurídica, paternalismo estatal e uma expansão contínua do poder sobre a vida privada.
Talvez a pergunta incômoda deste 7 de Setembro seja justamente esta:
Nós realmente queremos ser livres, ou apenas queremos que o poder seja exercido por alguém de quem gostamos?
Porque liberdade de verdade começa quando defendemos limites ao poder inclusive quando ele está nas mãos daqueles com quem concordamos.
E independência não deveria ser apenas uma data no calendário.
Deveria ser um compromisso permanente com a liberdade.