26/10/2017
1. Ubi Societas, Ibi Jus
“Ubi societas, ib Jus”. Quase todos os livros de introdução ao estudo do direito começam com essa frase em latim que signif**a que “onde há sociedade, há o direito”.
Quando iniciei a Faculdade, e isso já faz mais de 20 anos, eu tinha muitos sonhos!
Vivia inspirada e tinha muita admiração pelos colegas da época. Iniciei no TJ/RO, trabalhando com o MM DR SEBASTIÃO DE SOUZA MOURA, então Juiz de DIREITO na Vara do Júri na Comarca de Ji_Paraná.
Era apaixonada pela atuação dos nobres causídicos nos julgamentos do Tribunal do Juri e pensei; é isso! serei criminalista! Bom isso é uma outra história.
Mas resolvi escrever este post, porque ao chegar na Faculdade, somos apresentados ao latim. Por que em latim?
Já na primeira leitura um estudante de direito, percebe que a profissão escolhida é extremamente formalista.
A impressão que temos é que precisamos saber latim, ou fingir saber latim, para sermos bons profissionais.
Depois do latim, aparece outras palavras estranhas que nos acompanham não só pela vida acadêmica e profissional, mas por toda vida.
Jurisprudência, legítima defesa putativa, in dúbio pro reo, interdito proibitório, Agravo, repetição de indébito… enfim, é misto de termos que assustam num primeiro momento.
E não param por ai! Tem os sinônimos para palavras simples e a interpretação tem um monte de variantes: hermenêutica, ilação, exegese! A Constituição vira Carta Magna, Lex Fundamentalis e por aí vai!
E assim, f**a aquela impressão de que é preciso falar e escrever difícil para ser um bom jurista.
Ao longo do curso, o “esnobismo” vai se acentuando.
As obras jurídicas e as palestras parecem um verdadeiro concurso de demonstração de conhecimento de palavras complicadas.
Entretanto, chega um tempo que nos acostumamos com os termos jurídicos. É claro que tem uns colegas que são verdadeiros dicionários ambulantes, cheios de “data vênia”, “a priori”, “ad causam”, “ex vi”, “outrossim”, “destarte” . E continuarão o legado de seus mestres, escrevendo e falando em linguagem empolada e compreendida por um círculo mínimo de pessoas. É um círculo vicioso difícil de quebrar (mas não impossível!).
As frases em latim e as palavras difíceis podem ser consideradas o primeiro banho de água fria no estudante de Direito.
Muitos conseguem ultrapassar tranquilamente essa fase de crise vocacional, até porque já existe uma imagem popular que reforça essa necessidade de ser “orador” para ser um bom profissional jurídico. Outros, porém, já nessa fase, desistem, sem saber que existe muita coisa interessante no Direito .
Como dica para conseguir ultrapassar essa fase e não dar muita importância à linguagem jurídica logo no início do curso.
Mas enfim, ultrapassada essa fase, o curso é gratif**ante, e o direito é libertador. Além do mais, todo operador do direito está em constante aprendizado.
Ninguém possui todo o conhecimento ou domina todas áreas! Todos estamos aprendendo e, somos forjados na labuta do dia a dia!
Somos aperfeiçoados gastando sola de sapato, aguardando horas por uma audiência, pressionados pelo cliente que o processo está demorando, e como sempre a culpa é do Advogado.
Somos preparados, mesmo quando nos sentimos injustiçados, afinal, somos obrigados a cumprir os prazos, mesmo que o Judiciário não cumpra!
Inobstante tudo isso, apesar das dificuldades, de ser desafiador, é muito gratif**ante saber que ONDE HÁ SOCIEDADE, HÁ O DIREITO, e o advogado é essencial para se alcançar esse direito.