21/05/2026
Muitos pais pensam em doar um imóvel para os filhos como forma de organizar o patrimônio da família.
Mas, se quem doa tem dívidas, é preciso ter muito cuidado.
A Justiça entende que a doação de bens pode ser uma forma de fraudar a execução, ou seja, impedir que credores recebam o que têm direito.
Isso acontece quando alguém transfere seus bens para outra pessoa justamente para escapar do pagamento de dívidas.
O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a doação de um pai para um filho pode ser anulada, mesmo que ainda não exista nenhuma restrição registrada no imóvel.
Basta que o doador já esteja sendo cobrado na Justiça e que suas dívidas sejam maiores do que seu patrimônio.
Na prática, isso significa que:
- a doação pode ser cancelada, e o imóvel usado para pagar a dívida;
- o filho pode perder o bem e ainda ter problemas judiciais;
- todo o processo pode ser demorado e caro.
Antes de fazer uma doação nessas condições, é fundamental:
- avaliar se o ato pode ser visto como fraude;
- buscar outras formas seguras de planejamento patrimonial;
- tentar negociar ou quitar as dívidas antes de doar.
A lei não proíbe totalmente que uma pessoa endividada faça doações, mas coloca limites para proteger quem tem dinheiro a receber.
Por isso, cada caso deve ser analisado com atenção por um advogado especializado em direito de família.