10/08/2026
Eu vou contar uma coisa que muitos advogados não contam.
E que, inclusive, me fez hoje decidir não fechar um contrato imediatamente.
Imagine a seguinte situação:
Você é funcionário de uma empresa e possui um plano de saúde empresarial.
Surge um problema com o plano e você decide entrar com uma ação judicial para garantir um tratamento ou algum outro direito.
Juridicamente, pode existir um caminho.
Mas existe uma pergunta que também precisa ser feita:
Qual pode ser o impacto dessa decisão na sua relação com a empresa?
Dependendo da situação, uma ação envolvendo aquele contrato empresarial pode gerar desconforto ou preocupação dentro da empresa.
E se, posteriormente, esse funcionário acabar sendo demitido?
Mesmo que eventualmente existam medidas jurídicas para discutir essa demissão, o problema já chegou dentro da casa daquela família.
Porque não estamos falando apenas do plano de saúde.
Estamos falando de emprego, salário, sustento e estabilidade familiar.
Por isso, antes de simplesmente dizer:
“Vamos entrar com a ação.”
Eu prefiro analisar o cenário inteiro.
Quando existe um plano empresarial, uma das orientações que considero prudentes, dependendo do caso, é avaliar a situação com cuidado e, quando adequado, conversar com a empresa antes de tomar determinadas medidas.
O tratamento é extremamente importante.
Mas proteger a fonte de renda daquela família também é.
Advocacia responsável não é simplesmente aceitar todo caso que chega ao escritório.
Às vezes, ser advogado é justamente ter a coragem de dizer:
“Existe um caminho jurídico. Mas antes de seguirmos por ele, precisamos entender todas as consequências.”
Porque ganhar uma ação e criar um problema ainda maior na vida daquela família não pode ser tratado como uma vitória.
Direito, ética e bom senso precisam caminhar juntos.