21/05/2026
Aniversário da partida da minha mãe, Zely dos Santos Ortiz, e por mais que o tempo passe, existem ausências que nunca aprendemos a preencher.
Minha Mãe nasceu em 26 de maio de 1936, no interior de Erval Seco. Ainda muito pequena, aos três anos de idade, perdeu o pai de forma trágica. Minha avó Antônia ficou viúva aos 33 anos, com três filhos para criar. E foi ali, ainda menina, que minha mãe fez uma promessa que carregou por toda a vida: disse à minha avó que, se ela não se casasse novamente, cuidaria dela até o último dia. E cumpriu. Com amor, lealdade e uma presença rara.
Casou-se muito jovem com meu pai e juntos tiveram 12 filhos, seis homens e seis mulheres. A vida nunca foi fácil. Meu pai sofreu vários infartos e tinha limitações físicas. Minha mãe então se tornou força, sustento, coragem e abrigo. Foi arrimo de família sem jamais perder a dignidade, a firmeza e a capacidade de acolher.
Carregou também dores profundas. Perdeu um filho, meu irmão, Píndaro, justamente nascido no mesmo dia do seu aniversário. A partir dali uma parte da alegria se calou dentro dela. Mas nunca sua altivez. Nunca sua generosidade.
Minha Mãe viveu para servir, ajudar e confortar. Ninguém chegava perto dela sem receber uma palavra de carinho, um conselho, um prato de comida, um gesto de cuidado. Ela tinha essa capacidade rara de aliviar o peso da vida dos outros, mesmo carregando os próprios.
Depois veio o câncer, que lhe ceifou a vida, mas jamais apagará a grandeza da mulher que foi.
Sua partida deixou um vazio imenso em nossas vidas. Um silêncio que ainda dói. Mas deixou também um legado impossível de medir: de força, humanidade, fé, trabalho e amor.
Hoje, a saudade fala mais alto.
E eu só queria poder abraçá-la mais uma vez.