08/07/2018
Como um dia de domingo.
Ainda lembro do primeiro dia que cheguei a Faculdade de Direito, camisa rosa da hello Kitty , calça Capri ( na época era alta moda, RS), 17 anos de idade , olhar assustado e entusiasmo a flor da pele. Me senti grande, e balbuciei em pensamento: " sou estudante de direito", minha primeira paixão foi o Direito Penal, depois casei com o Direito Constitucional. Ah que Constituição, até chorei lendo o preâmbulo, 5 anos de estudo, ao final nasceu o filho querido TCC , e o tema não podia ser outro , o Princípio Constitucional da igualdade, nota 10, que orgulho!!! Prova da OAB, pronto advogada, agora posso salvar o mundo.
Primeiro ano na advocacia estava com mais v***r que chaminé, e os anos foram passando e aí meu nobre colega, como diz o ditado :" o filho chora e a mãe não vê". De petições em petições, audiências, recursos, manifestações, perícias e provas. Depois que você se torna advogado ,você é advogado 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias no ano. Mesmo com foco, força e fé , você vê por diversas vezes, as teses, as doutrinas e leis escorrerem pelas mãos, aí você chora, ri, perde as esperanças e a encontra, a advocacia é aquela roda gigante de Londres. E após anos , um certo domingo, precisamente hoje, você vê o princípio da celeridade na cara. Não estou discutindo se as decisões de hoje estão certas , se são éticas, morais ou legítimas. Mas precisamos fazer rotina principalmente aos domingos, decisões que mudaram vidas , a justiça precisa ser célere e fazer história pro povo que esperam julgamento de processos por anos, aquela aposentadoria, aquele auxílio doença, aquela ação de guarda que a criança precisa de um lar, aquela indenização que dará dignidade ao ser humano, aquela tão esperada cirurgia, medicamento, aquele processo trabalhista de anos em que os empresários escondem e sucumbem com os bens. Eu rogo, olhai por esses ,olhai para os desamparados , hipossuficientes, esquecidos, olhai para os nobres advogados e suas causas,olhai para aquele que ainda não sucumbiram dessa vida esperando a decisão de um processo , olhai para os que ainda abrem seus olhos todos os dias acreditando no judiciário desse país. Olhai...
Reflexão de uma advogada(Priscila Mota