02/04/2021
Boom no mercado imobiliário: o aquecimento vai se manter após a pandemia?
Em fase de recessão no início da pandemia, o mercado imobiliário teve um resultado ao final de 2020 que nem os analistas mais otimistas imaginavam. Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Fundação Instituto de Pesquisas (Fipe) mostram que as vendas de imóveis cresceram 26,1% no ano passado. Foram 119.911 unidades comercializadas, o melhor resultado desde 2014, quando o setor estava em fase de expansão.
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A Abrainc realizou uma pesquisa com empresários do ramo, que projetam uma alta de 38% na comercialização de imóveis em 2021. A pergunta agora é se esse boom será mantido nos próximos anos.
Alguns motivos justificam e fazem refletir sobre o futuro do mercado imobiliário.
Taxa de juros influenciou no resultado
Com a crise causada pela pandemia, o Banco Central baixou de forma drástica a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, que interfere nas taxas cobradas em todo o sistema financeiro. A medida serve como uma alternativa para movimentar a economia, chamada de expansão monetária, visto que o governo não possuía caixa para realizar grandes investimentos, com orçamento estrangulado e em déficit.
Com a Selic mais baixa da história no ano passado, fechando em 2%, os financiamentos imobiliários ficaram mais atrativos àqueles que desejavam o sonho da casa própria ou que buscavam o mercado imobiliário para investir. Com a alta da inflação, o Banco Central realizou recentemente uma subida nos juros – um aperto monetário – que deve influenciar no patamar de vendas. Mas, com 2,75% hoje, a Selic ainda está em um dos níveis mais baixos quando considerada a média histórica.
Mercado imobiliário oscila em ciclos
Para os analistas, o aquecimento do mercado deve continuar. Rafael Ragazi, sócio e analista da Nord Research, afirma que a tendência vai se manter e deve ser o maior boom imobiliário da história do país. O setor vive os ciclos e o último boom foi entre 2010 e 2014. Em 2015, com a crise econômica, houve um volume elevado de distratos, o que levou a um rombo de caixa muito grande nas empresas.
— As empresas começaram a se recuperar, as expectativas começaram a melhorar um pouco e no final de 2018 e 2019 tivemos um volume maior de lançamentos, dando início ao ciclo atual — diz Ragazi.
Para quem compra, o juro baixo tende a facilitar os financiamentos imobiliários. Com prazos acima de 30 anos, o banco que vai financiar o comprador olha a perspectiva de longo prazo para definir a taxa. Se antes os bancos podiam rentabilizar o patrimônio comprando títulos do governo, sem muito risco, agora, com a Selic baixa, isso não é mais opção. Esse cenário desperta o interesse das instituições financeiras em conceder crédito. Além disso, as fintechs estão pressionando a competição e diminuindo as receitas com tarifas.
Além do spread bancário, o crédito imobiliário ainda possui garantias. Essa taxa de juros segue muito baixa dado o padrão do Brasil, abaixo de 7% ao ano, em um financiamento de mais de 30 anos. É algo sem precedentes na história do país — reforça o analista.
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