28/04/2025
A recente condenação de Débora, uma manifestante presa no contexto dos eventos de 8 de janeiro, a 14 anos de prisão, revela mais do que o rigor da lei — revela a face seletiva e política da Justiça brasileira. Num país em que criminosos do colarinho branco, traficantes e corruptos são frequentemente agraciados com p***s brandas, acordos de delação e benefícios processuais, o caso de Débora soa como uma aberração judicial.
Tratar uma cidadã comum, sem histórico de violência, como se fosse uma ameaça comparável a membros de organizações criminosas é um atentado ao princípio da razoabilidade. A Justiça, que deveria se pautar pela imparcialidade e pela proporcionalidade, se transforma, nesse caso, em instrumento de exemplarismo político — onde a pena não busca reparar o dano real, mas intimidar a sociedade.
O contraste é evidente: enquanto delinquentes confessos desfilam livremente após “colaborar” com as autoridades ou após anos de recursos intermináveis, uma manifestante — que muitos sequer souberam apontar como autora direta de atos violentos — é sentenciada a mais de uma década de prisão como se fosse uma ameaça sistêmica à ordem pública.
A condenação de Débora expõe o problema central do Brasil contemporâneo: a aplicação da lei ao sabor das circunstâncias políticas. Quando o Judiciário assume o papel de agente político e deixa de ser o guardião isento da Constituição, o Estado de Direito se converte numa caricatura. Direitos fundamentais se tornam privilégios reservados ap***s aos que se alinham ao pensamento dominante.
Não se trata de defender a impunidade. Quem comete crimes deve, sim, responder por eles. Mas a Justiça que pune sem equilíbrio, que pesa a mão conforme a conveniência ideológica, deixa de ser Justiça. Torna-se perseguição. Torna-se vingança institucionalizada.
E se a sociedade permanecer calada diante dessa injustiça, estará legitimando não ap***s a condenação dela, mas a potencial condenação de todos que ousarem discordar dessa estrutura de poder.
🚨siga