21/08/2026
Em 2026, as Nações Unidas reforçaram a centralidade do trabalho de cuidado no debate sobre igualdade de gênero, proteção social e participação econômica das mulheres.
Os dados apresentados pela ONU revelam uma realidade ainda profundamente desigual: as mulheres realizam cerca de 76% de todo o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado no mundo, o equivalente a aproximadamente 16,4 bilhões de horas por dia. No Brasil, elas dedicam em média 21,4 horas semanais a esse trabalho, quase o dobro do tempo dedicado pelos homens.
Essa sobrecarga não se limita ao espaço doméstico. Ela repercute diretamente no acesso ao trabalho remunerado, na renda, na proteção social, na autonomia econômica e até no tempo disponível para descanso, qualificação e participação na vida pública.
Por isso, discutir quem sustenta o trabalho de cuidado significa também questionar quem suporta os seus custos.
A ONU aponta para a necessidade de superar a ideia de que cuidar é uma responsabilidade naturalmente feminina. O cuidado é indispensável ao funcionamento das famílias, da economia e da própria sociedade e, por isso, sua responsabilidade precisa ser compartilhada entre mulheres e homens, famílias, Estado, comunidades e setor privado.
Afinal, se o cuidado sustenta toda a sociedade, por que o seu peso ainda recai predominantemente sobre as mulheres?
Texto: Camila Cordeiro, membra do GT Trabalho do Cuidado da CMA OAB/PR
Fonte: Nações Unidas, Social protection and care and support systems (2026); ONU Mulheres, A Toolkit on Paid and Unpaid Care Work: From 3Rs to 5Rs (2022).
: card com fundo off-white e cinza-claro, faixa diagonal ciano no canto superior direito e faixa diagonal azul-marinho no canto inferior esquerdo, com o logotipo da OAB e da Comissão das Mulheres Advogadas no topo.