23/04/2026
Uma reputação construída ao longo de 60 anos está se desfazendo diante dos nossos olhos em meses. Estou falando do Banco BRB, cujo ex-presidente foi preso na semana passada em investigação relacionada ao caso Banco Master.
Um breve resumo para quem não conhece muito bem o BRB.
O banco foi criado em 1964, mas começou a funcionar efetivamente apenas em 1966. Inicialmente, ele tinha por objetivo possibilitar a captação de recursos para o desenvolvimento da região do Distrito Federal, mas, em 1991, ele se transformou em um banco múltiplo, com várias carteiras (comercial, câmbio, desenvolvimento e imobiliária).
Ao longo desse período, a instituição conseguiu criar uma reputação sólida, mesmo diante de algumas críticas. E conseguiu crescer. Em 2024, ela chegou a 8,9 milhões de clientes e a um lucro líquido de R$ 282 milhões.
Só que, desde que o caso Master estourou, no ano passado, a reputação do BRB vem sendo corroída rapidamente.
O ex-presidente — preso na semana passada — foi afastado em novembro. De lá para cá, ou seja, num período de aproximadamente cinco meses, o banco foi rebaixado pela Moody’s e pela S&P Global Ratings e passou a ser considerado uma instituição com maior risco de crédito.
Ainda não sabemos qual foi o impacto disso no número de clientes e no lucro — o balanço contábil, obrigatório, está atrasado —, mas há relatos de que muitos estão indo às agências atrás de informações sobre a solidez do banco. Além disso, há relatos de pressão no ambiente de trabalho.
Quer dizer, entre quem está envolvido com o banco, seja cliente, parceiro ou funcionário, o nível de incerteza é elevado — assim como será elevado o custo para restabelecer a confiança entre o banco e seus stakeholders se e quando esse momento chegar. O que nos mostra, mais uma vez, que governança e integridade não podem ser vistas como opcionais, mas sim estruturais.
Vale lembrar que governança e integridade não são áreas de suporte - são alicerces da operação.
A falta de um programa de integridade com enforcement, canal e investigações adequadas permitiu que problemas do porte do BRB não fossem identificados, relatados ou escalados internamente para mitigar o problema.