21/12/2018
PESADELOS NA FACULDADE –
No dia 17 de janeiro deste ano, casualmente lembrei que eram celebrados 21 anos de formatura da minha turma da FDC – Faculdade de Direito de Curitiba, atual UNICURITIBA. Além de ser a comemoração de um evento fundamental e libertador em minha vida, a data serve de pretexto para lhes relatar um tenebroso pesadelo que tenho com certa frequência desde aquela agradável noite em que quase arremessei minha borla pra fora do Teatro Guaíra.
Reconheço não ter sido dos alunos mais aplicados, tanto que precisei de dois semestres adicionais para liquidar todas as disciplinas. Mas o último período foi bastante tranquilo, três matérias, uma delas com apenas uma aula semanal.
Não sei como a UNICURITIBA procede atualmente, mas nos anos 90 a FDC era implacável no controle de frequência. Quem vacilasse, reprovava em faltas sem piedade. Aí começa meu reiterado pesadelo: das minhas três derradeiras disciplinas, na primeira semana faltei a todas. Na segunda semana — as aulas eram à noite, transcorria o rigoroso inverno de 1996… — fui para só uma das aulas. Na terceira semana, finalmente passei a frequentar as duas disciplinas. E assim consegui fazer nas semanas seguintes: assistia às duas aulas e deixava quase intacto o limite de faltas para usar no fim do ano.
Até que lá pela sexta ou sétima semana — em casa, à noite, numa boa, curtindo um blues — me lembrei daquela terceira disciplina, com apenas uma aula semanal, na qual eu nem havia dado o ar da graça.
Positivamente desesperado, calculando já estar reprovado em faltas e consequentemente impedido de me formar, corri para a faculdade, então sediada no calçadão da Senador Alencar Guimarães, esquina com a Emiliano Perneta. Ao transpor a roleta e chegar perto do edital, quando saberia se estava ou não reprovado, eu acordava.
Esse pesadelo me perseguiu nos últimos 21 anos, com mais intensidade no período logo após a formatura. De uns anos pra cá, aparecia com um pequeno acréscimo: percebo ainda estar no último ano e me pergunto se nunca vou conseguir me formar. Então resolvo fazer as contas e concluo: “JESUS AMADO, EU TÔ NA FACULDADE FAZ 26 ANOS! JÁ PODERIA TER ME FORMADO CINCO VEZES!!!”. O mais insólito é, numa hora dessas, eu ainda dominar a aritmética.
Certa feita contei meu pesadelo acadêmico em uma mesa multidisciplinar – havia arquitetos, um engenheiro mecânico e minha esposa, desenhista industrial. Quase todos informaram também ter esse tipo de pesadelo, mesmo diplomados há muito tempo.
E você, estimado ou estimada colega, também tem pesadelos com a faculdade? Se tiver, por favor me conte por aqui!