26/02/2026
Um eletricista dispensado poucos dias após ajuizar ação trabalhista deverá receber indenização por danos morais e pagamento em dobro da remuneração referente ao período entre a dispensa e a sentença de primeiro grau. A decisão é da 1ª Turma do TRTRS que manteve, por unanimidade, o entendimento da juíza Rachel Werner, da Vara do Trabalho de Guaíba. As empresas envolvidas no caso são uma transportadora – empregadora direta do trabalhador, eletricista de veículos – e uma indústria de celulose, tomadora dos serviços. Essa segunda empresa responde de forma subsidiária. De acordo com o processo, o trabalhador foi contratado em junho de 2023. Em 2 de julho de 2024, ajuizou a ação trabalhista reivindicando alguns direitos. No dia seguinte, comunicou a empresa sobre o ingresso do processo. Porém, em 9 de julho, sete dias depois do ajuizamento da ação, foi dispensado sem justa causa. O trabalhador sustentou que o desligamento foi uma retaliação direta pelo fato de ter buscado seus direitos na Justiça do Trabalho. Ele apontou, como evidência, a proximidade entre a data em que a empresa soube do processo e a data da dispensa. A prova testemunhal indicou a existência de boatos internos de que “quem entrasse com a ação seria desligado”. As empregadoras negaram a conduta discriminatória e alegaram que a dispensa ocorreu devido a cortes no quadro de empregados e reestruturação interna, embora não tenham juntado documentos comprovando a reestruturação alegada. No primeiro grau, a juíza Rachel Werner acolheu a tese do trabalhador. Ao analisar o recurso na segunda instância, o relator do caso, desembargador Raul Zoratto Sanvicente, manteve a indenização por danos morais em R$ 10 mil e o pagamento dos salários em dobro. "A dispensa de empregado, motivada pelo ajuizamento de ação trabalhista, caracteriza ato discriminatório, conforme a Lei nº 9.029/95, ensejando a reintegração ou a reparação por danos morais", afirmou. Cabe recurso ao TST.
Fonte: Repost