15/12/2025
15 de dezembro
Dia da mulher advogada.
Reflexões...
Ser mulher na advocacia não é sobre vocação...
É mais sobre ser resistência qualificada.
Somos maioria nos bastidores, no operacional que sustenta o sistema, na execução silenciosa que faz tudo funcionar. Mas seguimos minoria nas mesas de decisão, no quadro societário majoritário, nas diretorias, no saldo bancário e no poder formal (mesmo sendo, muitas vezes, mais preparadas, mais estratégicas e mais comprometidas).
É verdade que avançamos.
Nos últimos dez anos, vi que ampliamos nossa presença na profissão, na força institucional, ocupamos espaços historicamente reservados aos homens e passamos a integrar ambientes antes inacessíveis.
Mas acesso não é permanência, e presença não é poder. Ainda lutamos para nos colocar, sobretudo para nos manter e sermos reconhecidas nesses espaços, porque não queremos apenas experimentar uma sensação rasa de pertencimento.
Enquanto disputamos espaço profissional, seguimos responsáveis, quase sempre sozinhas, como no meu exemplo, pelos cuidados parentais, pela casa, pela rotina que não pode falhar, e tudo isso atravessado por ciclos hormonais, dores invisíveis e exigências estéticas que ainda condicionam a aceitação da nossa competência.
A firmeza que, nos homens, é reconhecida como liderança, no ambiente jurídico ainda costuma ser interpretada, quando exercida por mulheres, como descontrole emocional (pasmem, mas é isso!)
Avançamos. Isso é inegável.
Mas amadurecer profissional e institucionalmente é compreender que o verdadeiro marco não está na porta que se abre, nas falas bonitas sobre equidade, sororidade, e sim no espaço que se sustenta, que se mantem depois da entrada.
Enquanto a presença feminina for admitida majoritariamente na execução, e não incorporada de forma plena nos espaços de decisão; enquanto a excelência das mulheres seguir sendo exigência mínima (atualmente por cotas), e não critério legítimo de acesso ao poder; e enquanto o pertencimento ainda depender de validações informais, a equidade permanecerá como promessa, e não como estrutura, como deveria ser.
Não se trata apenas de ocupar espaços. Trata-se de permanecer, decidir e transformá-los.