17/07/2025
Exausta, mas em paz.
Na advocacia, com o passar do tempo, a gente aprende que é indispensável aprender a gerir expectativas — as nossas e as dos nossos clientes.
Porque o processo não é uma linha reta. É uma travessia que flutua no tempo, às vezes por anos. E, enquanto isso, laços se formam. Histórias se entrelaçam. E, mesmo que a técnica nos exija distância, o coração, vez ou outra, se aproxima.
Por isso, por amor e saúde — nossa e das partes — é preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o envolvimento e o limite. Nem sempre é fácil.
Confesso: algumas vezes chorei.
Chorei quando o estado de saúde de um cliente se agravou… e a Justiça não chegou a tempo.
Chorei pelas sentenças que vieram tarde demais, pelos óbitos antes da vitória.
Chorei, também, pelas frustrações, quando o direito era claro, evidente — mas ainda assim não foi reconhecido.
Mas há também lágrimas que nascem da alegria.
Lágrimas represadas por anos, que escorrem com gosto quando, enfim, a justiça floresce.
Toda vitória legítima é bonita. Toda conquista é digna de ser celebrada.
Há algo de sagrado no suspiro aliviado de uma mãe que esperou, orou e resistiu em silêncio, buscando apenas o essencial: dignidade para seu filho.
Há poesia na oração dessa mulher que chora e sorri, que clama e desanima, mas não desiste.
E compartilhar uma vitória assim tem um sabor diferente.
É como se o céu se abrisse, e Deus gritasse:
“Eu existo, estou aqui. Eu vejo. Eu cuido.”
Nessas horas, tudo faz sentido.
O propósito se revela com delicadeza, sussurrando em meu coração as respostas que, por vezes, questionei:
Por que faço o que faço?
Por que sigo nessa estrada?
E se há beleza na advocacia — para mim — ela mora nesses instantes.
Na presença silenciosa de algo maior.
No chamado de servir.
Na certeza de que colocar nossos dons a serviço do outro… é também um ato de fé.
As vitórias passam, eu sei. Mas o que elas nos despertam, permanece.
E hoje, mais uma vez, fui lembrada do que verdadeiramente importa.
Que venham mais lembretes assim. 🌿