12/02/2026
Montesquieu - Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu, filósofo e jurista francês, do século XVIII, considerado um dos pais do constitucionalismo moderno - nos lembra que o Estado de Direito só existe quando o poder encontra limites — inclusive dentro do próprio Judiciário.
O debate que hoje envolve o ministro Dias Toffoli, em razão de sua permanência na relatoria de um inquérito que apura fatos potencialmente ligados a ele, não é político, nem pessoal. É jurídico e institucional.
A própria Lei Orgânica da Magistratura, em seu art. 33, é clara ao afirmar que, surgindo indícios da prática de crime por magistrado, os autos devem ser encaminhados ao órgão competente para que a investigação prossiga.
Isso não pressupõe culpa — pressupõe prudência, imparcialidade e preservação da confiança pública.
No Direito, não basta ser justo: é necessário parecer justo.
E quando a imparcialidade é colocada em dúvida, o afastamento não enfraquece a Justiça — protege a instituição.
O respeito às garantias constitucionais não pode ser relativizado conforme o cargo, o nome ou a conveniência do momento.
Sem limites claros ao poder, o que se fragiliza não é um ministro — é o próprio Estado de Direito.