10/08/2026
🌿 Depois do Dia dos Pais.
Ontem foi um dia que, para cada um, talvez tenha tido um significado diferente.
Depois de tudo o que foi vivido, talvez possamos simplesmente deixar o pai ocupar um lugar dentro de nós — sem precisar melhorar a história, explicá-la ou transformá-la.
Há pais que foram próximos.
Há pais que estiveram distantes.
Há pais presentes, ausentes, conhecidos ou desconhecidos.
Há amor, saudade, raiva, gratidão, tristeza, silêncio.
E talvez todos esses sentimentos possam existir.
Não precisamos escolher um deles para que o outro desapareça.
Na visão sistêmica, existe algo muito simples e profundo: a vida chegou até nós através de nossos pais.
E, junto com a vida, recebemos também uma parte daquilo que somos.
Há algo do pai em nós.
Talvez esteja no corpo.
Talvez em um gesto.
Talvez na voz, no jeito de caminhar, na força, na fragilidade.
Às vezes reconhecemos.
Às vezes não queremos reconhecer.
Mas não precisamos gostar de tudo para reconhecer que faz parte.
Talvez acolher o pai, hoje, não seja dizer “foi tudo bem”.
Talvez seja poder dizer, silenciosamente:
“Foi assim.”
E deixar que o que foi, seja.
Sem cobrança.
Sem exigir do passado aquilo que ele não pode mais dar.
Sem precisar carregar aquilo que pertence ao destino dele.
E sem precisar negar aquilo que chegou até nós através dele.
Porque somos filhos.
E, em alguma medida, também somos feitos daqueles que vieram antes.
Talvez a paz não esteja em sentir apenas amor pelo pai.
Talvez esteja em poder sentir o que realmente sentimos — e ainda assim reconhecer:
“Você é meu pai.
Eu sou seu filho.
E a vida segue.”
Depois disso, não é preciso dizer mais nada.
A vida sabe continuar.