30/05/2022
É indiscutível que a série Stranger Things, produzida pela Netflix, tornou-se uma das mais populares na atualidade.
Recentemente teve inicio a 4ª temporada da franquia, e de antemão, podemos fazer um link com o processo penal, mais precisamente com a mentalidade inquisitória, que permeia o processo.
Tudo começa com a m0rt3 brutal de uma jovem popular, na cidade de Hawkins. Ocorre que o corpo foi localizado na casa onde reside Edie, um jovem rebelde, fã de Rock/Metal, usuário de dr0gas e líder de um grupo de jogos de mesa (RPG) chamado “Clube do Inferno”.
Por uma ótica comum, podemos concordar que as condutas de Edie são bastante incomuns. Entretanto, por mais diferente que Edie seja, fato é: Ele não é o Ass4ssin0 em questão!
Em uma investigação/processo criminal, para fins de acusação, são necessários indícios de autoria e materialidade. No caso, pela presença do cadáver mutilad0, temos a materialidade, mas não se solidif**am elementos para a autoria.
O acusado de “ter parte com o Diabo”, passa a ser perseguido por um grupo de amigos da vítima, que querem fazer justiça com as próprias mãos, e seguem, mesmo um deles tendo plena certeza de que não é Edie, o autor do crime. Ainda, conseguem inflar a opinião popular da pequena cidade, que inicia uma espécie de “caça as bruxas”, para encontrar o suposto criminoso, que segue foragido.
Edie é o típico escolhido que a sociedade, mídia e poder punitivo do estado, muitas vezes selecionam, para depositar o ódio e criar uma falsa percepção de justiça. É justamente assim que atua a mentalidade inquisitória, buscam aplicação de uma vingança cega, irracional.
Em 2014, no litoral de SP, uma mulher foi espancada até a morte, após boatos de s3questr0 de crianças para rituais. Após, ficou comprovado que ela não tinha nenhum envolvimento com a situação.
Temos ainda, o famoso caso dos “Meninos de Altamira”, onde um um homem em situação de rua foi preso e morto dentro da cadeia, acusado por crimes contra menores, mas mesmo após a morte os crimes continuavam a acontecer...
O Processo penal não pode ser um mero espetáculo. Temos um problema que não é ap***s jurídico, é social.
Essa é a sanha pelo punitivismo.