07/07/2025
Como advogada atuante na prática forense, não ignoro as falhas que podem ocorrer no sistema de justiça.
Mas tenho convicção de que a Senadora Damares está sendo induzida em erro, e, pior:
está sendo levada a agir contra exatamente aquilo que publicamente defende:
a proteção da criança e o fortalecimento da família.
Ceder ao coro das lágrimas de mães que perderam a guarda dos filhos pode ser emocionalmente tentador, sobretudo para quem também é mulher, mãe e sensível ao sofrimento humano.
Mas olhar com atenção para o que realmente acontece nos bastidores da justiça e que ficam protegidos pelo segredo de justiça dos processos, exige coragem.
E o que se vê é claro:
Juízes não são parvos, como faz parecer que fala pela revogação da lei usando argumentos de que 'bastou uma conversa de meia hora', 'bastou um laudo', 'bastou uma acusação de alienação parental'
O Ministério Público é atento e fiscalizador; E, com frequência, é a advocacia que precisa agir com mais precisão e técnica, justamente porque a verdade é que o sistema de justiça atua com extrema cautela nas decisões envolvendo crianças — exatamente para evitar erros irreparáveis.
➡️ Insinuar que a LAP está sendo usada para entregar filhos a abusadores não é apenas equivocado.
É uma acusação grave, mas uma resposta institucionalmente madura exige investigação, correção de condutas e fortalecimento dos mecanismos de controle e não a revogação sensacionalista de uma lei que protege a infância.
Ao aderir a uma pauta ideológica disfarçada de cuidado, a Senadora colabora com um movimento que:
• Usa mulheres como vetor político;
• Apaga a criança e o adolescente como sujeito de direito;
• Ignora o princípio da isonomia, assim como faz o Protocolo de Julgamento do CNJ
❌ Criticar uma lei sem compreender sua função é desinformação.
✅ Revogar sem avaliar suas consequências é omissão institucional.