06/11/2014
Notícia PONTUAL:
CAMPINAS SE PREPARA PARA A MAIOR INTERVENÇÃO URBANA desde a década de 1950
Aterramento de fios de eletricidade e telefonia, ciclovias, mais faixas exclusivas para ônibus, implantação do BRT, restrições a estacionamento, prioridade para pedestres, diretrizes para ocupação do Centro, que deve receber um Parque Tecnológico. Campinas está se preparando para a maior intervenção urbana, começando pela região central, desde a década de 1950, quando foi concluído o Plano Prestes Maia. No dia 15 de janeiro de 2015 começarão as obras de requalif**ação da Avenida Francisco Glicério, no coração da cidade, primeira escala de uma série de ações envolvendo o poder público e a iniciativa privada. O projeto que pretende tornar a Glicério um novo cartão-postal de Campinas foi discutido na manhã desta quinta-feira, 23 de outubro, em audiência na Câmara Municipal.
O secretário municipal de Cultura, Ney Carrasco, coordenador do grupo de trabalho que está conduzindo o projeto de requalif**ação na Prefeitura, disse que a iniciativa para a avenida Francisco Glicério é um modelo do que o Executivo propõe para toda a região central. “As próximas gestões terão como dar continuidade, com diretrizes claras indicadas agora”, explicou o secretário, observando que o projeto apresentado deriva de uma proposta do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), núcleo de Campinas.
As linhas gerais do projeto de requalif**ação da avenida Francisco Glicério foram apresentadas pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo, Samuel Rossilho, que destacou a parceria entre vários órgãos públicos e organizações privadas. “Todas as obras serão executadas pela iniciativa privada, sob a coordenação de uma empresa que será contratada para isso”, sublinhou.
Como informou o secretário, a avenida Francisco Glicério terá, em seu lado direito, no sentido avenida Orosimbo Maia-Aquidabã, uma faixa exclusiva para ônibus. Do lado esquerdo, a atual faixa destinada a estacionamento será suprimida, com sua destinação à ampliação da calçada para pedestres. Os dois pontos de táxi da Glicério serão localizados nessa calçada, em uma baia com recuo em relação à pista. A calçada, adornada com as andorinhas de Campinas e floreiras, terá uma pavimentação especial, que já está sendo preparada pela Associação Brasileira de Cimentos Portland (ABCP), um dos parceiros do projeto.
A fiação elétrica e de telecomunicações será aterrada, e nesse propósito estão envolvidos outros dois parceiros, a CPFL Energia e a Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TELCOMP). Outros parceiros, pelo poder público, são a Sanasa, Setec e IMA, municipais. Pela sociedade, Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC) e Sinduscon. Pela iniciativa privada, Comgás, Embratel, Net, Vivo/Telefônica/TVA, TIM, GVT, Algar, Transit, WCS, Nettel, Oi, AVVIO, Level 3, BR Fibra, Americanet, SAMM, Ascenty e CPFL Telecom.
Iluminação mais eficiente, despoluição visual, padronização dos quiosques que serão instalados na calçada ampliada, paisagismo como ordenador do espaço, iluminação cênica nova para os monumentos históricos, a cargo da CPFL, e a troca da pichação por grafite, em parceria com artistas locais, são outras ações previstas.
O secretário municipal de Transportes e presidente da Emdec, Carlos José Barreiro, observou por sua vez que as diretrizes de trânsito que serão observadas no projeto de requalif**ação da Glicério serão válidas para o “novo plano para 25, 30 anos” que a Prefeitura está preparando para o setor de mobilidade em Campinas.
Será o caso da padronização das estações de transferência para ônibus, que serão implantadas na Glicério. Outro destaque será a ciclovia do lado esquerdo. “Não será uma ciclo faixa, de convivência entre bicicletas e automóveis, mas ciclovia mesmo, como parte de um grande projeto de ciclovias que está sendo preparado e incluirá por exemplo a Orosimbo Maia e Aquidabã”, disse o secretário, igualmente citando a importância que será dada para a acessibilidade a todos.
Do mesmo modo, serão implantados novos semáforos, com tecnologia que será ampliada para as demais vias que serão objeto do projeto maior de mobilidade em estruturação. O secretário lembrou que a implantação do BRT, sigla em inglês para ônibus de trânsito rápido, demandará “mudanças importantes”, que já começarão a ser implantadas a partir da requalif**ação da Francisco Glicério.
Os corredores de BRT serão implantados com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento da Mobilidade Urbana (PAC 2), do governo federal. A empresa portuguesa Engimind Brasil Consultores e Representação foi a vencedora da licitação para projetar os corredores. Serão 14,4 quilômetros de extensão no Ouro Verde, uma das regiões mais populosas de Campinas. No Campo Grande, também muito populoso, serão 17, 8 quilômetros, começando pelos trilhos desativados do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na região central. A estimativa é a de que os corredores tenham capacidade de transportar 30 mil pessoas por hora nos dois sentidos.
A Câmara Municipal constituiu um grupo de trabalho, presidido pelo vereador Marcos Bernadelli, para acompanhar o projeto de requalif**ação da Francisco Glicério. A audiência pública de hoje foi convocada pelo vereador.
Os vereadores também estão discutindo o projeto do Executivo, de concessão de incentivos para instalação no centro de um Parque Tecnológico, constituído por startups. O vereador André von Zuben tem atuado ativamente nesse sentido.
Plano Prestes Maia – As intervenções previstas pela Prefeitura Municipal, em parceria com empresas e comunidade, se implementadas na totalidade, representarão a maior intervenção urbana em Campinas, sobretudo na região central, desde o final da implantação do Plano Prestes Maia, na década de 1950.
Plano Prestes Maia é como ficou conhecido o plano de urbanismo contratado em 1934 pela Prefeitura de Campinas, junto ao escritório do arquiteto e urbanista Francisco Prestes Maia, de São Paulo. O propósito era reestruturar a região central, cujas ruas não eram mais adequadas à sociedade do automóvel em expansão.
Muitas modif**ações previstas no Plano de Melhoramentos Urbanos, ou Plano Prestes Maia, foram implantadas entre as décadas de 1940 e 1950. Algumas ações derivadas do Plano foram polêmicas, incluindo derrubada da Igreja do Rosário e outros prédios para a ampliação da avenida Francisco Glicério. Entre 1938 e 1945, Prestes Maia foi prefeito nomeado de São Paulo, onde também executou várias reformas urbanas.
Fonte: Agência Social de Notícias