12/07/2023
A ARTIR DE AÇÃO DO MPGO, PREFEITURA DE GUAPÓ DESISTE DE EMPRÉSTIMO ILEGAL QUE GERARIA DÍVIDA MILIONÁRIA DE 10 ANOS AO MUNICÍPIO
Dívida contraída pelo município seria paga em 10 anos
Após o Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Guapó, ter proposto uma ação civil pública (ACP) contra o município, a Câmara Municipal da cidade e o Banco do Brasil, devido à contratação de um empréstimo no valor de R$ 4,5 milhões, a administração pública decidiu cancelar a negociação.
A denúncia do empréstimo, autorizado por meio de um processo legislativo irregular, foi feita por um vereador de Guapó. Ao tomar conhecimento do fato, o MP instaurou um inquérito civil público, por meio do qual constatou que o negócio geraria, com juros e outros encargos, uma dívida de R$ 10 milhões aos cofres públicos locais, a ser paga durante 10 anos, comprometendo assim gestões futuras.
De acordo com o promotor de Justiça Wesley Branquinho, titular da 2ª PJ, as investigações mostraram que o município de Guapó, mesmo com deficiência na arrecadação, decidiu contrair o empréstimo, com a justificativa de asfaltar e recapear vias públicas. O promotor explica que, ao longo do inquérito, foram identificadas diversas inconsistências na negociação, como a inexistência de um plano de execução das obras a serem feitas pela empreiteira a ser contratada e a falta de estudo técnico contábil sobre a capacidade de endividamento do município. Neste ponto, Branquinho destaca que um parecer técnico-jurídico recomendou a avaliação do empréstimo pela Comissão de Finanças, que deu parecer favorável mesmo com a assinatura de apenas uma membra, deixando evidente a sua ilegitimidade.
Na ação proposta, o MP apontou ainda a falta de proporcionalidade e razoabilidade entre o serviço de asfaltamento e recapeamento de vias públicas com o endividamento que surgiria pelo empréstimo, comprometedor do erário por longos anos e das gestões municipais futuras.