29/01/2026
Quando a lei responde, mas a justiça não convence
O caso do cachorro Orelha despertou algo que vai além da indignação:
uma sensação coletiva de impunidade.
E isso não é novo.
Em 1997, o Brasil assistiu ao assassinato de Galdino Jesus dos Santos, indígena pataxó queimado vivo enquanto dormia.
Na época, a justificativa inicial foi chocante:
“foi uma brincadeira de jovens”.
Hoje, o roteiro se repete.
Autores jovens.
Famílias abastadas.
Narrativas técnicas que, embora juridicamente corretas, soam moralmente insuficientes.
É verdade:
➡️ menores não cometem crime, cometem ato infracional.
➡️ o Estatuto da Criança e do Adolescente se aplica.
➡️ o Estado age dentro da lei.
Mas o problema não está só na lei.
Está na mensagem que ela transmite.
Quando o esforço maior parece ser conter a repercussão,
e não afirmar com clareza que certos atos são intoleráveis,
o Direito até funciona — mas perde legitimidade social.
A justiça não serve apenas para punir.
Ela serve para educar, prevenir e afirmar valores mínimos de civilidade.
Quando isso falha, nasce a sensação de que:
a lei vale,
mas não vale para todos do mesmo jeito.
E um sistema que convence apenas no papel,
mas não no imaginário social,
cobra um preço alto lá na frente.
📌 O caso Orelha não é só sobre um cachorro.
É sobre memória.
É sobre que tipo de sociedade escolhemos tolerar.