10/12/2025
A MORTE ANUNCIADA DE UMA INSTITUIÇÃO CHAMADA OAB
O episódio envolvendo o advogado Jeffrey Chiquini, retirado da tribuna da Primeira Turma do STF por um policial — sob ordem expressa do presidente da Turma, ministro Flávio Dino — deveria ter feito a OAB se levantar com toda a força institucional que diz possuir. Mas o que vimos? Silêncio. Um silêncio cúmplice, ensurdecedor, quase cerimonial.
Um advogado, no estrito exercício da defesa de seu cliente, é afastado da tribuna por força policial dentro do Supremo Tribunal Federal, e a entidade que deveria ser guardiã das prerrogativas da advocacia simplesmente não se manifesta.
Não um sussurro.
Não uma nota.
Não uma vírgula.
Se a OAB não reage a isso, vai reagir a quê? A corte suprema mandou retirar um advogado do espaço que é seu por direito constitucional e a instituição que deveria zelar pela dignidade da profissão optou por assistir de camarote. Talvez preparando mais um relatório inútil, talvez ocupada com solenidades, talvez apenas resignada ao próprio esvaziamento.
A verdade é dura: uma OAB que assiste calada à intervenção policial sobre um advogado em plena tribuna é uma OAB que renunciou à própria razão de existir.
É uma entidade que trocou a combatividade pela conveniência, a independência pela acomodação, e as prerrogativas aquela palavra tão repetida em discursos por um silêncio que faz vergonha a qualquer profissional que viva da lei e da palavra.
Se a advocacia é um pilar da democracia, a OAB, nesse episódio, comportou-se como um pilar já rachado não caiu ainda por pura força da tradição, não por coragem institucional.
Se este silêncio persistir, não testemunharemos apenas uma omissão. Estaremos assistindo, ao vivo, à lenta e constrangedora morte de uma instituição que já foi grande.
Por Dom Gio OABMT 9174