31/01/2026
O preconceito que despreza nosso passado ignora o nosso próprio futuro.
Vamos falar sobre Idadismo / Etarismo / Ageismo?
Já parou para pensar que o idadismo (ou etarismo) é talvez o preconceito mais “sem noção” que existe?
Diferente de outras formas de discriminação, ele é um preconceito contra aquilo que nós mesmos já fomos e, ao mesmo tempo, contra aquilo que inevitavelmente seremos.
É uma verdadeira autossabotagem coletiva.
É uma “ignorância” praticada contra nós mesmos.
Serve, muitas vezes, como ferramenta de manipulação, mas é uma grande cilada: atacar o que você foi ou será.
👉 Idade diz quem você é?
Ou faz parte do conjunto de condições que você está vivendo neste momento da vida?
A grande transformação
Imagine se um homem pudesse, em determinada fase da vida, experimentar o mundo como mulher.
Ou se uma pessoa branca fosse, aos poucos, tornando-se preta.
Será que ainda sustentaríamos sentimentos preconceituosos se tivéssemos a oportunidade real de viver a experiência do outro?
👉 No idadismo isso acontece.
E, mesmo assim, insistimos em discriminar quem é mais jovem ou mais velho do que nós. Por quê?
O envelhecimento nos oferece uma metamorfose única:
• O forte experimenta a vulnerabilidade;
• O ágil aprende o valor da pausa;
• A experiência profunda do tempo nos confronta com outra realidade e alimenta o que mais falta no mercado hoje: empatia.
Aqui vale reforçar um ponto essencial: o etarismo não é apenas uma questão ética — é também uma questão legal.
A partir dos 60 anos, a discriminação deixa de ser apenas reprovável e passa a ser crime.
📜 Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003), Art. 96:
Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou a qualquer outro meio necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade.
Pena: reclusão de 6 meses a 1 ano e multa.
O envelhecimento é a maior oportunidade que temos de compreender, na pele, a dor do preconceito — justamente porque ele alcança todos nós, se tivermos a sorte de viver mais.
No ambiente de trabalho, descartar o talento sênior é desperdiçar o aprendizado que só o tempo constrói.
Cada vez mais ações trabalhistas vêm consolidando o entendimento de que há discriminação no recrutamento, nas relações de trabalho e, especialmente, na dispensa de trabalhadores(as) por idade.
👉 Viver muito é um privilégio.
👉 Respeitar esse processo é sinal de inteligência.
Que tal transformarmos o medo de envelhecer em orgulho da trajetória construída e respeito ao próximo?
Reivindicar direito é exercer sua cidadania!
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Mauro Freitas
Advogado especializado em Direito da Pessoa Idosa e Direito do Trabalho
Presidente da ABRACS – Associação Brasileira do Cidadão Sênior