03/03/2026
Tem coisas que ninguém vê.
Mas é nelas que a gente se prova.O que quase ninguém sabe é que eu também já respondi cliente da UTI.
Enquanto meu filho estava internado, eu fazia protocolos, respondia WhatsApp, organizava prazos.
E, por incrível que pareça… trabalhar me ajudava a não afundar.
Era a forma que eu encontrava de continuar respirando.
Um dia respondi uma cliente no WhatsApp e ela perguntou:
“Dra, você está na UTI? Estou ouvindo o barulho…”
Eu respondi:
“Estou só acompanhando, mas está tudo bem.”
Não estava tudo bem.
Eu estava quebrada.
Arrasada.
Sem poder pegar meu filho no colo.
Mas eu estava lá.
Firme.
Cumprindo minhas obrigações com quem confiou a própria liberdade nas minhas mãos.
Teve dia que eu gravei vídeo no leito da UTI.
Teve dia que eu me excluí do mundo.
Mas tive amigos que, mesmo no meu silêncio, ficaram.
Alguns carregaram sacolas do presídio por mim.
Alguns atenderam ligações.
Alguns simplesmente me sustentaram em oração.
Foram dias escuros por trás das câmeras.
Dias que me rasgaram por dentro.
E durante esses dias eu não me fiz de coitada, não postei nada, não gritei para o mundo. Entreguei nas mãos de quem poderia resolver o problema e me calei.
Deus foi fiel!!! Ele resolveu!!!
Vencemos!!!
E se hoje eu luto com tanta força por cada cliente…
é porque eu sei o que é estar no chão e ainda assim precisar continuar.
Advogar é saber que alguém depende da sua força quando você mesma está exausta.