25/04/2026
Quando alguém diz que “patrão não faz muita coisa”, eu lembro do advogado que começou sozinho, atendendo cliente, fazendo petição, respondendo WhatsApp, emitindo boleto, pagando conta, estudando tráfego, contratando errado, demitindo com dor e ainda tentando sorrir no almoço de domingo.
É muito fácil olhar para uma empresa funcionando e esquecer que, antes dela parecer uma empresa, ela foi só uma pessoa com medo, risco, responsabilidade e uma coragem meio irracional de continuar. Escritório de advocacia não nasce com um time feito. Nasce com o dono fazendo tudo.
O empresário brasileiro não vive num jogo simples. Ele contrata, paga imposto, assume risco trabalhista, segura fluxo de caixa, absorve inadimplência, treina equipe, perde margem, enfrenta burocracia e ainda escuta que “não faz nada”.
Na advocacia, então, o dono muitas vezes é advogado, gestor, vendedor, financeiro, RH e bombeiro de incêndio ao mesmo tempo.
Ninguém aqui está dizendo que trabalhador não merece dignidade. Merece. E muito. Mas também não dá para fingir que toda nova conta pode simplesmente cair no colo de quem empreende, como se a margem fosse infinita e como se o Estado já não apertasse o pescoço de quem tenta crescer fazendo o certo.
Eu conheço advogado dono de escritório que queria pagar melhor, contratar mais, dar mais folga, estruturar melhor a operação… mas ainda está preso num modelo em que tudo depende dele.
E enquanto o debate público trata o empresário como vilão, tem muito dono de escritório só tentando não quebrar, não atrasar salário e não perder a própria saúde.
A minha bandeira é essa: o Brasil precisa parar de romantizar a demonização de quem empreende. Porque sem empresário, não tem emprego. Sem margem, não tem crescimento. Sem gestão, não tem escala. E sem respeito por quem carrega o risco, o discurso pode até parecer bonito… mas a conta sempre chega para alguém. E duvido que é desta Política.