Erica Bonfatti Advocacia

Erica Bonfatti Advocacia Sou Erica Bonfatti, advogada, palestrante, com pós-graduação em Direito e extensão universitá

O texto é longo, mas queria trazer aqui os devaneios que me atravessaram nesta madrugada insone
11/12/2025

O texto é longo, mas queria trazer aqui os devaneios que me atravessaram nesta madrugada insone

2025. A cada dia parece que acordamos dentro de O Conto da Aia.Depois de tantos retrocessos, tantas feridas abertas, a g...
07/11/2025

2025.

A cada dia parece que acordamos dentro de O Conto da Aia.
Depois de tantos retrocessos, tantas feridas abertas, a gente ainda precisa assistir o Estado decidir que o corpo de uma criança violentada não lhe pertence.

Simone de Beauvoir avisou: bastam algumas crises políticas, econômicas ou religiosas para que os direitos das mulheres sejam questionados.
E é sempre assim - quem perde primeiro são as dissidentes, as pobres, as pretas, as meninas.

O “PDL do aborto”, aprovado pela Câmara, não é um detalhe técnico.
É um projeto de poder tr****tido de moral.
Revoga diretrizes que garantiam acolhimento e dignidade a meninas estupradas, e devolve às mãos do Estado e da família patriarcal o controle sobre seus corpos.

Querem nos convencer de que é “defesa da vida”.
Mas que vida é essa, onde uma menina é obrigada a parir o filho de seu agressor?
Que fé é essa, que prega misericórdia aos estupradores e condena as vítimas ao martírio?

Não é burocracia, é crueldade.
Não é opinião, é tortura.
E quem vota por isso não está defendendo a vida - está legislando a violência.

Criança não é mãe.
Estuprador não é pai.
E quem se cala é cúmplice.

✍️ Assine e divulgue o abaixo-assinado do .mulheresemlutas - www.mel.org.br/abaixoassinadocontraapdlaborto

Hoje é Dia da Visibilidade Bi*****al.E não existe uma forma de ser Bi. Não é confusão, não é indecisão, não é metade de ...
23/09/2025

Hoje é Dia da Visibilidade Bi*****al.
E não existe uma forma de ser Bi. Não é confusão, não é indecisão, não é metade de nada. Somos inteires, múltiplos, complexos e, muitas vezes, invisibilizades.

A invisibilidade não é apenas social, mas também jurídica e política: direitos negados, relações deslegitimadas, violência simbólica. Como advogada e como mulher bi*****al, afirmo que a luta por diversidade sexual também passa pelo reconhecimento e pela garantia de direitos.

Visibilidade Bi é dizer: nossas existências importam, nossas relações importam, nossas vidas importam.
Que o Direito e a sociedade não nos apaguem, mas nos reconheçam em nossa potência.

A Lei Maria da Penha faz 19 anos.Mas o Brasil segue matando 4 mulheres por dia.🟥 4 mulheres assassinadas por dia em 2024...
08/08/2025

A Lei Maria da Penha faz 19 anos.
Mas o Brasil segue matando 4 mulheres por dia.

🟥 4 mulheres assassinadas por dia em 2024.
🟥 2 em cada 3 vítimas eram negras.
🟥 78% das tr****tis e mulheres trans mortas eram negras.
🟥 8 em cada 10 feminicídios foram cometidos por companheiros ou ex.
🟥 Mais de 15 mil meninas de até 13 anos foram vítimas de estupro — a maioria dentro de casa.
🟥 121 mulheres foram mortas mesmo com medida protetiva.
🟥 Mais de 100 mil medidas foram descumpridas.

Eles não “perdem o controle”.
Eles sabem o que fazem.
A violência tem método, rotina e estratégia.
O controle é o projeto.

A Lei Maria da Penha é uma conquista.
Ela trouxe medidas protetivas, atendimento prioritário, articulação de redes, programas de prevenção.
Mas ela não funciona sozinha.
Precisa de orçamento, estrutura, fiscalização e compromisso político.

Não é exagero.
É realidade.
E a gente não vai parar de gritar.

É por todas que não puderam voltar.
É por todas que ainda respiram com medo.
É por todas que querem viver.

Conheci Preta Gil com a música Sinais de Fogo…E ela trazia isso mesmo: um sinal iluminado no meio do caminho, dizendo qu...
21/07/2025

Conheci Preta Gil com a música Sinais de Fogo…
E ela trazia isso mesmo: um sinal iluminado no meio do caminho, dizendo que era possível ousar.
Que dava pra viver sem pedir licença.
Que coragem não era ausência de medo, mas presença de si.

Aos 24 anos, encontrei nela uma referência rara: uma mulher que não se encolhia pra existir.
Bi*****al, gorda, preta, potente,
num mundo que exige silêncios e recuos, ela escolhia o palco, a fala, o brilho.
Transformava dor em potência, amor em luta, presença em liberdade.

Ela foi inspiração antes mesmo de eu saber o quanto precisava ser inspirada.
Hoje, o coração pesa…
Mas o legado dela é leve: é trilha aberta, é possibilidade viva.
Ela não se foi, ficou em todes nós que ousamos um pouco mais por causa dela.

Obrigada, Preta.
Teu fogo segue aceso aqui.

MEMÓRIAS DO ORGULHO é uma série que nasce da certeza de que o orgulho não é feito de selfies — é feito de encontros que ...
02/07/2025

MEMÓRIAS DO ORGULHO é uma série que nasce da certeza de que o orgulho não é feito de selfies — é feito de encontros que nos transformam.

Em 2017, tive o privilégio de ser recebida por Leci Brandão em seu gabinete na Alesp. Deputada estadual, sambista, mulher preta e lé***ca assumida desde os anos 1970 — é dessas presenças que abrem caminhos, que antecedem o nosso passo e sustentam a nossa coragem.

Com sua voz firme e generosa, Leci construiu pontes entre a arte e a política, entre a favela e o parlamento, entre o samba e os direitos humanos. Pioneira na Mangueira e na Assembleia Legislativa, sempre fez questão de carregar consigo as lutas do povo preto, das mulheres, da favela e da comunidade LGBTQIAPN+.

Estar com ela naquele momento foi mais do que uma visita: foi memória encarnada, afeto em movimento e reafirmação de que não estamos sós. Leci representa uma luta que é coletiva, que é ancestral e que segue viva.

“Já cantei pelas pretas, pelos pretos, pelos indígenas, pelos g**s, pelos trabalhadores, pelas mulheres que são empregadas domésticas. Sempre cantei por todo mundo e pela luta social de uma forma ampla.” — Leci Brandão

Obrigada, Leci, por seguir sendo farol em tempos tão sombrios. Orgulho é ter sua força como parte da nossa história.





❌ Não é fake news. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJC) aprovou o parecer favorável ao Projeto de Decre...
01/07/2025

❌ Não é fake news. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJC) aprovou o parecer favorável ao Projeto de Decreto Legislativo 89/2023, que tenta derrubar a Resolução 492 do CNJ — justamente a norma que obriga juízas e juízes a julgarem com perspectiva de gênero.

📉 Segundo o Atlas da Violência, a taxa de homicídios no Brasil caiu entre homens.
🔴 Mas aumentou entre mulheres.
📈 Foram mais de 48 mil feminicídios em uma década. E mesmo diante disso, querem destruir a única política nacional que tenta responsabilizar o Judiciário por suas omissões e violências.

🕯️ O protocolo foi criado como resposta direta à condenação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Márcia Barbosa, jovem negra assassinada por um deputado estadual na Paraíba.
O Estado foi considerado culpado por omissão, machismo institucional e impunidade estrutural.
A sentença obrigou o Brasil a:
• indenizar a família;
• capacitar o Judiciário com perspectiva de gênero;
• reformar normas e estruturas para garantir justiça às mulheres.

👩🏽‍⚖️ O que o protocolo faz é simples e vital:
Ensina magistrados a reconhecer violência simbólica, desigualdades estruturais, estereótipos, e injustiças históricas, incluindo pessoas LGBTQIAPN+.
E ainda assim, querem chamar isso de “ideologia”.

📢 O parecer da deputada Bia Kicis diz que o CNJ “exorbitou” suas funções e que a “teoria de gênero” não pode ser obrigatória.
O nome disso não é técnica legislativa. É projeto de morte.

🚨 Se o PDL for aprovado, o Brasil:
• descumpre sentença internacional da CIDH;
• reafirma sua omissão histórica diante da violência de gênero;
• e autoriza o Judiciário a continuar julgando com machismo, transfobia e racismo.



✊🏾 NÃO SE CALE!

🔗 Pressione os deputados e deputadas.
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📣 Denuncie.











👣 Lembre: a justiça só será justa se enxergar as desigualdades que nos atravessam.

🧠MEMÓRIAS é uma série que nasce da certeza de que o orgulho não é feito de selfies — é feito de encontros que nos atrave...
12/06/2025

🧠MEMÓRIAS é uma série que nasce da certeza de que o orgulho não é feito de selfies — é feito de encontros que nos atravessam e nos transformam.

Em 2017, conheci num evento na Alesp. Foi um momento breve, mas intenso. Como tantos encontros que a militância nos proporciona, aquele também mudou minha vida.

Mulher negra, ameríndia e transgênero — por ordem de importância e percebimento, como ela mesma se define — Neon Cunha é presença que não se explica, se sente. Urbanista, ativista, artista, orixá encarnado em desobediência, é uma das maiores referências na luta por dignidade para pessoas trans e tr****tis no Brasil.

Ela não pede espaço. Ela EXISTE, com todas as letras em caps lock. Rompe com a cisgeneridade, com a branquitude institucional, com a normatividade da esquerda e com a tentativa de encaixotar nossas existências dentro do sistema.

Foi Neon quem colocou a própria vida em risco ao fazer um pedido de morte assistida à OEA, exigindo o direito de ser reconhecida como mulher trans sem ser patologizada pelo Estado brasileiro. Seu gesto abriu caminho para a retificação de nome e gênero sem judicialização e sua voz ecoou, pela primeira vez, numa instância internacional de direitos humanos.

“Não nos interessa apenas inclusão. Queremos pertencimento.” — Neon Cunha

Ela nos lembra, com sua presença viva, que ser tr****ti preta no Brasil é sobreviver ao genocídio todos os dias e ainda dançar sobre ele. Que orgulho não é aceitação: é afronta. É não negociar nossa inteireza.

Que essa memória siga reverberando em mim, em nós. Neon, tua existência é uma lição de não rendição.

  desse episódio que foi ao ar no Dia Internacional contra a LGBTfobia, 17 de maio para o Podcast .btv . Foi mais que um...
12/06/2025

desse episódio que foi ao ar no Dia Internacional contra a LGBTfobia, 17 de maio para o Podcast .btv . Foi mais que uma conversa, foi partilha, presença, luta e por esse motivo eu agradeço o .alcides , o e a pelo convite!

No episódio eu falei de direitos, mas falei também da minha história, de nome, de quem veio antes, de filhes. Porque não é sobre representatividade vazia, é sobre existir com dignidade num país que ainda insiste em nos apagar.

Ouça o episódio completo — o link tá na bio🌈
E sigamos. Porque a luta é todo dia.

Hoje é 17 de maio.E ainda tem quem ache que a gente exagera.Que já tem “direito demais”.Que é “mimimi”, “modinha”, ou “f...
17/05/2025

Hoje é 17 de maio.
E ainda tem quem ache que a gente exagera.

Que já tem “direito demais”.
Que é “mimimi”, “modinha”, ou “fase”.
Mas cada corpo LGBTQIAPN+ carrega histórias de silêncio, expulsão, medo.
Cada vez que alguém segura a mão da pessoa amada na rua, é coragem.
Cada nome social respeitado, é uma batalha vencida.
Cada criança que cresce podendo ser quem é, é uma vitória que veio tarde demais pra muita gente.

Hoje é o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia.
E se eu escrevo, é porque essa dor atravessa quem eu sou.
Não como estatística, mas como memória viva.
De quando me calaram.
De quando disseram que meu amor era errado.
De quando tentei caber no que esperavam de mim.

Hoje, me orgulho do caminho que venho construindo ao lado de quem também escolheu não se esconder.
Gente que resiste com afeto.
Que transforma o trauma em força.
Que sabe que viver é, também, um ato político.

Mas não basta comemorar quem sobrevive.
A gente quer mais do que tolerância.
A gente quer respeito, cuidado, escuta e reparação.

Por isso sigo:
na rua, na lei, no amor e no grito.
Com coragem, porque o mundo ainda é perigoso pra quem ama fora da norma.

Que o 17 de maio não seja só lembrança do que nos feriu.
Mas marco do que ainda falta fazer.



Chegamos ao finzinho do Dia das Mães.E para mim, esse dia não é sobre flores, é sobre quem segura o mundo com as própria...
11/05/2025

Chegamos ao finzinho do Dia das Mães.

E para mim, esse dia não é sobre flores, é sobre quem segura o mundo com as próprias mãos, mesmo quando o mundo insiste em soltar.

Ainda somos nós que cuidamos sem descanso,
que inventamos comida com o que têm,
que perdoamos ausências para que a vida siga.

Ainda somos nós e tantos outres que não cabem no nome de “mãe”, que maternamos com o corpo inteiro.

A maternidade que me atravessa não é a dos comerciais.
É a que sangra, que cansa, que grita sozinha no banheiro.
Mas também é a que renasce todos os dias no olhar de quem cresce.

É a que se reinventa em rede.

Amanhã completo 14 anos como mãe.

E se eu cheguei até aqui, foi porque outras mãos me sustentaram.
Nem todas femininas, mas todas presentes.
Nem todas mães, mas todas cuidadoras.

É por isso que hoje não falo só de mim.
Falo de nós, de quem cuida com verdade.

De quem chega junto.

De quem ampara filhes que não pariu.

De quem transforma cansaço em abrigo.

O mundo ainda exige demais de quem cuida.

Mas eu escolho celebrar o que me mantém de pé:
a coragem de amar sem garantias,
a alegria de ver minhas crias florescendo,
a certeza de que o cuidado coletivo salva.

Que nenhume de nós carregue o mundo sozinhe.

Que cuidar deixe de ser fardo, e passe a ser bem comum.

01 de Maio – Dia de quem trabalha demais por tão pouco.Nem todo trabalho é reconhecido. Nem toda mão que constrói tem ca...
01/05/2025

01 de Maio – Dia de quem trabalha demais por tão pouco.

Nem todo trabalho é reconhecido. Nem toda mão que constrói tem carteira assinada. Nem todo corpo que sustenta a vida tem direito ao descanso.

Hoje, quero lembrar das mulheres negras e pessoas trans que sequer chegam ao mercado formal, mesmo quando são as primeiras a acordar e as últimas a parar. Quero lembrar das mães solo, coparentes, cuidadores que seguem invisíveis aos olhos de um sistema que só enxerga produtividade quando há lucro, não quando há afeto, comida no prato ou filho acolhido em crise.

Quero lembrar que escala 6x1 não é escolha, é sobrevivência. Que o cuidado, o afeto e a resistência preta e periférica sempre sustentaram este país; sem férias, sem 13º, sem reconhecimento.

Quero lembrar que a transfobia demite antes mesmo da contratação. Que o armário corporativo é regra. Que o silêncio muitas vezes é a condição para se manter empregado.

Por isso, neste 1º de maio, não é só sobre homenagear quem trabalha. É sobre denunciar o quanto esse sistema escolhe quem vale a pena proteger e quem pode ser descartado.

Mas também é sobre respiro.

Porque descansar também é rebeldia. E nesse dia que o capital chama de feriado, a gente chama de fôlego para seguir lutando. Por um trabalho que não adoeça. Por uma economia que não exclua. Por um mundo que reconheça o valor de quem cuida, de quem cria, de quem resiste.

Descanse, se puder. Lute, se conseguir. Mas nunca esqueça: a revolução também se faz com afeto e com pausa.


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