18/08/2026
Outro dia comentei nos stories que o Direito da Saúde tem um borogodó diferente...
E deixa eu te explicar por quê.
A advocacia na Saúde e na Inclusão exige conhecimento técnico, claro. Mas, para mim, exige também a capacidade de olhar para o outro e compreender a urgência de quem chega até nós.
Eu consigo fazer isso porque, em algum momento, também já estive do outro lado, assim como muitos outros colegas da área.
Já me vi perdida, desorientada, tentando entender o que estava acontecendo e o que precisava ser feito.
E em quais momentos isso aconteceu? Quando meu pai estava no CTI, e especialmente ao longo da minha maternidade atípica...
Ah, já contei que sou mãe de uma linda neurodivergente?
Hoje, quando olho para trás, não enxergo só dificuldade.
Enxergo uma mulher que aprendeu, na marra, a lutar e a sorrir.
Sorrir, sim! Por aqui também tem sorrisos, conquistas, amor e, principalmente, muita resistência.
E acho que toda essa história acabou desaguando na forma como eu exerço a advocacia: de um jeito mais próximo.
Ao longo da minha trajetória, já perdi as contas de quantas vezes ouvi que eu “não parecia advogada”. Dessa vez, a história tem outra entonação. Se não entendeu, volte um post! Kkkkk. São falas em tom de admiração e carinho.
E, geralmente, a explicação vinha porque eu ouvia, conversava, explicava e tratava aquela pessoa com simplicidade e empatia.
Enfim, não sou perfeita.
A gente não precisa virar palhaço, nem transformar toda conversa em sessão de terapia.
Mas também não precisa ser frio para demonstrar competência.
Dá para ser técnico sem ser distante.
Especialmente quando o nosso trabalho envolve pessoas que já chegam machucadas, cansadas, assustadas ou tentando desesperadamente encontrar uma saída.
Talvez seja esse o borogodó diferente dessa área. Ela traz nossas marcas e nos ajuda a lembrar que antes de existir um processo, existe uma pessoa.