30/06/2026
O que aconteceu com a credibilidade dos profissionais especializados?
Hoje o post é um desabafo.
Atuo com advocacia contratual há mais de dez anos. Durante esse tempo, meu maior “concorrente” sempre foi o modelo de contrato baixado no Google.
Mas, nos últimos anos, esse cenário mudou.
A IA tornou o acesso à informação muito mais fácil. O problema começa quando informação passa a ser confundida com estratégia jurídica.
Tenho percebido uma mudança. Cada vez mais clientes chegam com contratos elaborados pela IA ou com sugestões de cláusulas geradas por ela, esperando apenas que eu “revise” ou “assine embaixo”.
E, muitas vezes, deixo de conversar com o cliente para discutir com o resultado de um prompt que trabalha sem exclusividade, apenas com padrões.
O contrato é uma ferramenta construída a partir da realidade da empresa, do modelo de negócio, dos riscos envolvidos, da forma como aquele empresário negocia e dos conflitos que ele precisa evitar.
É por isso que, antes de escrever qualquer cláusula, eu faço perguntas. Analiso documentos. Entendo a operação. Identifico riscos que, muitas vezes, nem o próprio cliente percebe.
Esse é o trabalho que nenhuma inteligência artificial consegue fazer sozinha. E connfesso que, em alguns momentos deste último ano, me senti desmotivada.
Não pela tecnologia, mas pela impressão de que anos de estudo, experiência e análise passaram a ser comparados com respostas geradas em segundos.
A IA acelera processos, mas responsabilidade profissional, análise crítica e estratégia continuam sendo humanas.
Talvez eu tenha que me adaptar e deixar de atuar no preventivo, começar a cobrar 4x mais, quando o cliente vier com um problema gerado por um contrato ilusoriamente seguro, gerado por um prompt genérico.