15/05/2026
Não é novidade que golpistas usem o nome de empresas e escritórios para aplicar fraudes pelo WhatsApp.
O que chama atenção é o nível de informação que eles têm acesso. Muitas vezes, chegam sabendo valores, números de processo e detalhes que dificilmente alguém de fora conheceria. E é justamente isso que acaba confundindo até pessoas mais atentas.
Mas em um caso julgado em Uberlândia, Minas Gerais, a Justiça deu uma resposta diferente. E dessa vez, a responsabilização não ficou apenas no golpista.
Advogados começaram a receber reclamações de clientes que tinham sido abordados pelo WhatsApp por alguém se passando por eles.
Não era uma mensagem genérica. Quem entrava em contato sabia o nome do profissional, usava a foto do escritório e conhecia detalhes sigilosos dos processos em andamento. Para o cliente, era impossível desconfiar.
Os advogados denunciaram ao Facebook. Informaram os perfis falsos, pediram a remoção. A plataforma foi avisada formalmente e ainda assim manteve as contas no ar.
O caso foi parar na Justiça. Na defesa, o Facebook alegou que não era a empresa certa para responder, já que quem opera o WhatsApp tecnicamente seria outra pessoa jurídica.
Disse também que não houve falha nenhuma da plataforma e que a responsabilidade era dos golpistas e da falta de cuidado dos envolvidos.
O juiz Ricardo Augusto Salge, da 1ª Unidade Jurisdicional de Uberlândia, derrubou os três argumentos.
Facebook e WhatsApp integram o mesmo grupo econômico, então a separação formal não serve de escudo. A criação inicial das contas falsas, ele reconheceu, está fora do controle de qualquer plataforma.
O problema foi outro: a empresa foi comunicada, teve ciência da fraude, e não fez nada. Esse silêncio é que gerou a condenação.
Ter o nome associado a um esquema criminoso, com clientes sendo enganados em nome dos profissionais, ultrapassa qualquer mero aborrecimento. Atinge a honra. Atinge a credibilidade construída ao longo da carreira.
A condenação foi de R$ 4 mil por advogado em danos morais, mais a exclusão definitiva de todos os números usados nos golpes.