04/06/2026
Sêneca escreveu: “Ama como se fosses morrer hoje.”
Depois de alguns anos atuando no Direito de Família, percebi que essa frase tem um signif**ado diferente daquele que imaginava quando a li pela primeira vez.
Os processos raramente começam quando o amor acaba.
Muitas vezes, eles começam quando alguém acreditou que ainda haveria tempo.
Tempo para visitar mais.
Tempo para telefonar.
Tempo para participar da infância dos filhos.
Tempo para dizer “eu me importo”.
Tempo para pedir perdão.
Mas o tempo tem uma característica implacável: ele segue adiante, mesmo quando nós adiamos.
Talvez essa seja uma das maiores lições que a advocacia familiarista me ensinou.
Vejo pais que gostariam de ter estado mais presentes.
Filhos que guardam a ausência de momentos que não voltam.
Famílias inteiras tentando reconstruir, em um processo judicial, vínculos que deveriam ter sido cultivados muito antes.
Sêneca também lembrava que não é a vida que é curta, mas que desperdiçamos grande parte dela.
E, olhando para tantas histórias, confesso que passei a acreditar nisso.
Por isso, se existe alguém importante para você, não espere a ocasião perfeita.
Não adie o abraço.
Não adie a conversa.
Não adie o afeto.
Porque algumas oportunidades não aguardam o amanhã.
E porque, às vezes, amanhã é tarde.