22/05/2026
Processar a empresa pega mal?
Essa é mais uma frase do arsenal do patrão capiroto pra fazer o trabalhador engolir o prejuízo calado. Criar constrangimento. Gerar culpa. Fazer o trabalhador se sentir ingrato, desleal, exagerado por querer cobrar o que é seu por direito.
Vamos ser diretos: processar a empresa só pega mal pra quem vai ter que pagar. E quem vai ter que pagar é o patrão capiroto que colocou o trabalhador em risco, que não cumpriu as obrigações legais de saúde e segurança, que não forneceu EPI, que não treinou, que não fiscalizou, e que quando o acidente aconteceu tentou varrer tudo pra baixo do tapete.
Pra esse patrão, sim. Vai pegar muito mal. No bolso.
Pro trabalhador? Só pega bem. Porque o trabalhador não está sendo vingativo. Não está sendo ganancioso. Não está inventando nada. Ele está fazendo exatamente o que qualquer pessoa faria diante de um dano real causado por negligência de outra parte: buscando a reparação que a lei garante.
Dano moral pelo sofrimento causado. Dano estético pela alteração permanente na aparência. Dano existencial pela vida que mudou. Pensão vitalícia pela sequela que ficou. Tratamento médico que o patrão devia ter pago. Salários que ficaram no bolso dele durante o afastamento. Estabilidade que ele violou.
De acordo com a advogada trabalhista e especialista em acidente de trabalho Laiza Pimentel, entrar com ação trabalhista por acidente de trabalho não é atacar uma empresa. É exercer um direito constitucional. É usar o sistema que existe exatamente pra isso: garantir que quem causou dano repare o dano.
Processar pega mal pra quem deve. Pra quem sofreu o acidente, processar é o caminho pra justiça.
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