13/05/2022
Os ci****os eletrônicos (e-cigarro) - ou chamados oficialmente de DEF (Dispositivos Eletrônicos para Fumar) - são proibidos no Brasil desde 2009 por meio da Resolução de Diretoria Colegiada n°46 da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), apesar da comercialização desses produtos ser ainda intensa na internet. Agora, a ANVISA está na fase final de elaboração de seu posicionamento quanto à liberação do uso dos DEFs.
Nesse sentido, a Associação Médica Brasileira, apoiada por mais de 50 entidades médicas Brasileiras, divulgou um documento esta semana para alertar sobre os problemas de saúde que o uso de e-ci****os pode trazer, e defendendo que a ANVISA mantenha a proibição da venda desses produtos no Brasil (1).
"Os ci****os eletrônicos não podem reverter décadas de esforços da política de controle do tabaco no Brasil," afirma o documento, assinado também pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Dr**as.
Como alerta a AMB, muitos acreditam que ci****os eletrônicos ajudam as pessoas a deixarem de fumar ci****os comuns. Pensam também que eles são "saudáveis"/seguros por exalar apenas "v***r de água", não contendo substâncias tóxicas e perigosas. Pelo contrário, evidências recentes apontam a identif**ação de quase 2 mil compostos químicos liberados no v***r dos e-ci****os, incluindo muitas substâncias tóxicas e cancerígenas. E o v***r não é de água, é de solventes orgânicos voláteis. Sim, usuários estão aspirando solvente. E mais: a persistente presença de nicotina (às vezes em quantidades abusivas), substância viciante dos ci****os (isso sem contar outras substâncias que podem ser adicionadas aos líquidos desses dispositivos).
Os inúmeros estudos já acumulados claramente mostram que os e-ci****os são perigosos (2), e efeitos de longo prazo são ainda amplamente desconhecidos e pouco caracterizados (um erro cometido décadas atrás com os ci****os tradicionais). Danos multissistêmicos têm sido reportados em laboratório e estudos clínicos, incluindo lesões e doenças pulmonares e problemas cardiovasculares.
E, para piorar, NÃO existe sólida evidência de que esses produtos ajudam as pessoas a largarem o uso de cigarro tradicional. Estudos de grande porte mais recentes encontraram que outros métodos relativamente seguros (ex.: chiclete de nicotina) podem ser mais ou tão efetivos para esse propósito (2). Existe evidência inclusive sugerindo maior risco de relapso, e/ou nenhum efeito positivo no abandono do fumo de tabaco.
Nos EUA, o que está acontecendo é uma séria e grave epidemia do uso de e-ci****os entre crianças e adolescentes, com a indústria do e-cigarro sendo acusada (justamente) de estar conscientemente visando esse público, especialmente com o uso de flavorizantes (tóxicos) atrativos. Uma massa de futuros viciados em nicotina está sendo criada no país, abrindo potencialmente as portas para outras dr**as de abuso.
A AMB reforça: "ATENÇÃO MÉDICOS, é muito importante alertar seus pacientes sobre todos os malefícios provocados pelos ci****os eletrônicos. Essa é uma grave questão de saúde pública."
E não se enganem com narrativas falaciosas: a própria indústria do tabaco está fazendo lobby para empurrar os e-ci****os para o mercado Brasileiro, vendendo como algo "medicinal" ou "cool". Quanto mais viciados em nicotina, melhor para essa indústria, a qual já possui controle de grande parte das empresas de e-cigarro, e é estimada de crescer $47 bilhões de dólares nos EUA até 2025 (3). Algumas das maiores marcas de e-cigarro, como a BLU, pertencem a uma gigante do tabaco. TODAS as grandes companhias de tabaco controlam pelo menos uma marca de e-cigarro.
(1-3) Mais informações e referências nos comentários.