09/08/2026
Eu amo essa foto.
É uma das poucas que tenho com meu pai. Eu tinha apenas três anos, e esse foi o meu último aniversário com ele.
Só tinha um detalhe: eu estava de olhos fechados.
Esses dias, em uma conversa despretensiosa, alguém olhou para a foto e disse: “Vamos resolver isso.” Usando inteligência artificial, abriu os meus olhos na imagem.
Quando vi, me emocionei profundamente.
Talvez meus olhos não fossem exatamente assim. Talvez a fotografia nunca tenha existido dessa forma. Mas, por alguns segundos, foi como se eu pudesse olhar novamente para aquele momento. Como se aquela menina de três anos pudesse abrir os olhos e enxergar o pai que estava ao seu lado.
E isso foi um presente.
Eu tive pouco tempo com meu pai, mas carrego lembranças muito vivas.
Lembro dele chegando do trabalho. Lembro dos abraços. Lembro de acordar e ouvi lo me chamar de “Pixu”. Tenho músicas que me levam imediatamente até ele.
E tenho também as memórias que não são minhas, mas que fui recolhendo ao longo da vida.
Sempre que alguém me diz: “Eu conheci seu pai”, alguma coisa dentro de mim quer saber mais. Quero ouvir tudo. Quero conhecer um pouco mais daquele homem através dos olhos de quem teve a oportunidade de conviver com ele.
E, graças a Deus, o que encontro são histórias bonitas.
Histórias de um homem admirado como pai, marido, irmão, tio, amigo… um homem que deixou amor e boas lembranças por onde passou.
Eu só pude viver três anos ao lado dele.
Mas hoje entendo que existem pessoas que permanecem muito além do tempo que tiveram conosco.
Permanecem no que nos ensinaram, mesmo sem palavras.
Permanecem nas histórias que deixaram.
Permanecem nos nossos gestos, nos nossos valores e até em partes de nós que talvez nunca consigamos explicar de onde vieram.
E eu gosto de acreditar que existe muito dele em mim.
Hoje, olhando para essa fotografia com meus olhos abertos, meu coração só consegue dizer:
Pai, foram apenas três anos ao seu lado. Mas uma vida inteira carregando um pouco de você dentro de mim.
Feliz Dia dos Pais. 🤍