01/05/2026
Em um mundo que corre, percebo como cada vez mais é essencial a gente se desconectar.
Essa semana eu tirei alguns dias pra isso. E, sendo muito sincera, foi difícil — minha mente pedia estímulo o tempo todo, aquele impulso automático de pegar o celular, rolar o feed, colocar uma série, abrir qualquer coisa que preenchesse o silêncio. Me desafiei a curtir algo que, no meio de tanto barulho, é quase extinto: o ócio. O tédio simples de não ter nada pra consumir, nenhuma tela pra encarar, nenhuma história que não fosse a que passava pela minha própria cabeça.
E foi nesse espaço vazio — incômodo a princípio, libertador depois — que um pensamento não saiu de mim:
A gente vive uma era de métricas constantes. Quantos likes, quantas visualizações, quantos seguidores. O que comeu no dia, o que gastou. Qual foi o pace hoje, quantos dias seguidos de treino, quantas horas de sono o aplicativo marcou. Quantas metas bateu, quantos livros leu no ano.
Tudo vira número. Tudo vira dado. E a gente, quase sem perceber, vai se tornando uma planilha de nós mesmos.
E se as métricas que mais perseguimos forem justamente as menos importantes?
Você se lembra da última vez que esteve realmente presente numa conversa? Ninguém mede a qualidade de uma tarde sem compromisso, o valor de deixar a mente vagar sem rumo nem nexo, a riqueza de contemplar uma paisagem sem precisar fotografar pra postar depois. Ninguém dá mais valor pro silêncio compartilhado ao lado de alguém especial, pro vazio da mente que — como pude constatar — é onde a criatividade e a clareza ainda moram. 🤍