11/07/2024
O Café Não Costuma Falhar
Olho ao meu lado e, por um momento, me vejo de chinela de dedo, como um menino. Como o tempo passa rápido! O quanto do menino ainda permanece em mim? O quanto aprendi (e ainda preciso aprender com o menino que fui)? Atrás de mim, seria o futuro?
O paletó e o sapato social vestem a formalidade do meu ofício, mas, por dentro, sou tanta coisa. Sou como o café que precisa de uma proteção para esquentar e para servir.
Tomar um café da manhã sem pressa é um sinal de riqueza sutil que poucos percebem. A plaquinha pendurada diz que café não costuma falhar, mas nós não somos café. Nós somos erros, acertos e construção, todos os dias. E a nossa vida, às vezes, também é como um café, que esquenta e esfria.
Neste pequeno café, do Seu Genaro, onde a simplicidade reina, percebo a beleza das pequenas coisas. O sorriso do barista, a conversa despretensiosa, a partilha de momentos que aquecem o coração. Sentado aqui, ao lado do pequeno Davi, de 10 anos, vendendo brigadeiro e biscoitos, produzidos por ele, me reposto ao tempo que vendia manga e caju, na calçada de minha casa, aos 7 anos de idade. Como passa rápido! São esses momentos que dão sabor à vida. A cada gole de café, reforço a ideia de que a felicidade está nas pequenas pausas, nos instantes de reflexão e nos gestos de carinho.
A vida moderna muitas vezes nos empurra para um ritmo frenético, mas aqui, neste cantinho simples, encontro um refúgio. É um lembrete de que, independentemente das responsabilidades e formalidades, é essencial reservar um tempo para nós mesmos e para aqueles que amamos. É nesses momentos de pausa que recarregamos nossas energias e encontramos inspiração para seguir em frente.
Então, ao levantar minha xícara de café, brindo aos momentos simples, às memórias de infância que carregamos e ao futuro que construímos com cada pequena escolha. Porque, assim como o café, não podemos falhar em apreciar a jornada e os pequenos prazeres da vida.
Bom dia, amigos!